O Egito apresentou um plano para reconstruir Gaza, uma alternativa à proposta apresentada pelo Presidente dos EUA de construir uma “Riviera do Médio Oriente”. O projeto egípcio ainda não se conhece por inteiro, mas já se sabe que será composto por três fases (sendo a primeira focada na limpeza de escombros) e que terá um valor de cerca de 53 mil milhões de dólares. O plano foi esta terça-feira aprovado na Cimeira Árabe, com os líderes destes países a concordar com a sua implementação.

O plano egípcio ainda não foi totalmente (ou oficialmente) divulgado, mas em orgãos de comunicação social, como a Al Jazeera, já foram divulgados alguns dos passos que o Egito considera que devem ser dados para reconstruir Gaza em virtude dos bombardeamentos israelitas. Já são conhecidos 10 pontos deste projeto que foi apoiado pelos líderes árabes.

No total, o projeto egípcio terá três fases: a primeira terá a duração de seis meses e as restantes entre quatro e cinco anos cada. Durante os primeiros seis meses, segundo a Al Jazeera será constituída uma comissão (gerida pela Autoridade Palestiniana) responsável por limpar os escombros das principais estradas da Faixa de Gaza.

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Prevê-se também a construção de 200 mil habitações temporárias, de forma a alojar com rapidez 1.2 milhões de pessoas. Contudo, está também prevista a construção de 400 mil casas permanentes. Serão também restaurados cerca de 60 mil edifícios.

O Egito propõe também a reconstrução do porto e do aeroporto de Gaza. E o restabelecimento de serviços básicos como água, sistema de esgotos, serviços de telecomunicações e eletricidade.

A nível político, o plano sugere que o Hamas seja totalmente substituído por um grupo de “tecnocratas palestinianos independentes” que irão ficar responsáveis pela gestão dos assuntos de Gaza. Este mesmo grupo terá também a função de supervisionar a entrada da ajuda humanitária em Gaza e preparar a sociedade para uma administração feita pela Autoridade Palestiniana (AP).

Em termos de defesa, o plano contempla a ajuda do Egito e Jordânia na formação de agentes da polícia palestiniana, que serão depois enviados para Gaza. Estes dois países pediram ainda ao Conselho de Segurança da ONU que considere a possibilidade de autorizar uma missão de manutenção da paz para supervisionar a administração de Gaza até à sua total reconstrução.

ONU deverá ser um dos financiadores do projeto

Segundo a Al Jazeera, serão ainda organizadas conferências, para que os financiadores internacionais possam disponibilizar os valores monetários necessários para reconstruir a Faixa de Gaza, que, segundo o previsto, está nos 53 mil milhões de dólares. O Egito prevê que o dinheiro tenha origem em vários financiadores, entre os quais a Organização das Nações Unidas e outras empresas privadas e investimentos estrangeiros.

A fase que deverá ser mais cara é a última: prevê-se um investimento de 30 mil milhões de dólares para concluir a construção das habitações, assim como criar uma zona industrial (assim como o porto e o aeroporto e outros serviços).

A segunda fase deverá custar 20 mil milhões de dólares, já que será por esta altura que se estabelecerá a rede de serviços públicos (ao mesmo tempo que a construção de habitações continua). A primeira fase — a mais curta — deverá ficar-se apenas pelos 3 mil milhões de dólares (investidos na remoção dos escombros).