O Presidente norte-americano afirmou na terça-feira que outras nações usam medidas tarifárias contra os EUA há anos e que agora chegou a hora “de usá-las contra outros países”. Donald Trump salientou, também, que a sua administração está a fazer a “repressão mais abrangente nas fronteiras e na imigração da História americana”.

Trump, que horas antes havia aprovado aumentos de tarifas de até 25% contra importações mexicanas, canadianas e chinesas, mencionou o Brasil, China, Índia, México, Canadá e União Europeia num discurso perante o Congresso norte-americano.”Outros países usaram tarifas contra nós por décadas e agora é a nossa vez de começar a usá-las contra outros países”, disse Trump aos legisladores no primeiro discurso do segundo mandato perante as duas câmaras do Congresso.

“Isso está a acontecer com amigos e inimigos. O sistema não é justo com os Estados Unidos”, acusou Trump, reiterando que em 02 de abril “tarifas recíprocas” serão colocadas em prática contra setores e países que taxam produtos norte-americanos em termos tarifários e não tarifários e outros tipos de barreiras.

“Fomos enganados por quase todos os países do planeta durante décadas e não vamos deixar que isso aconteça novamente”, insistiu Trump, que na terça-feira colocou em vigor tarifas contra o México e o Canadá por supostamente não fazerem o suficiente para combater o tráfico de fentanil e a imigração ilegal. “O México quer agradar-nos”, disse Trump em relação à extradição para os Estados Unidos de 29 narcotraficantes.

Mas precisamos que o México e o Canadá façam muito mais do que estão a fazer. Eles precisam de impedir que o fentanil e as drogas entrem no nosso país”, acrescentou.

Além disso, Trump comprometeu-se a impor uma taxa adicional de 10% à China – já tinha anunciado 10% anteriormente – com o argumento de que o país não fez esforços suficientes para combater a entrada de fentanil nos Estados Unidos.

Donald Trump garantiu que a sua política protecionista também protegeria os agricultores norte-americanos e que imporia tarifas sobre produtos agrícolas a partir de 02 de abril, embora tenha reconhecido que “pode haver um curto período de ajuste”. O Presidente norte-americano mencionou tarifas sobre matérias-primas que considera estratégicas, como alumínio, cobre, madeira e aço.

Trump iniciou uma guerra comercial com três principais parceiros comerciais que ameaça a sobrevivência do acordo de livre comércio e, de acordo com economistas, pode levar os Estados Unidos a uma inflação ainda mais elevada e a uma possível desaceleração económica.

Trump celebra repressão mais abrangente da imigração “na História americana”

O Presidente norte-americano celebrou esta terça-feira o trabalho do seu Governo para melhorar a segurança nas fronteiras e travar a entrada de imigrantes, considerando tratar-se “da repressão mais abrangente nas fronteiras e na imigração da História americana”. Tudo o que o seu país precisava era “de um novo Presidente” para travar a imigração ilegal nos EUA, acrescentou.

“A imprensa e os nossos amigos no Partido Democrata continuaram a dizer: ‘Precisávamos de uma nova legislação, precisávamos de uma legislação para proteger a fronteira’. Mas acontece que tudo o que precisávamos era de um novo Presidente”, congratulou-se. “Rapidamente alcançámos os menores números de cruzamentos ilegais de fronteira já registados”, acrescentou.

Num discurso semelhante aos que fez durante a sua campanha eleitoral, Donald Trump descreveu o estado do país que herdou do antecessor, Joe Biden, como um deserto cheio de imigrantes ilegais violentos, advogando que “uma nova era de ouro” está em andamento sob a sua liderança.

Trump reclama crédito pela “maior e mais bem-sucedida era da história” dos EUA

O Presidente norte-americano assumiu na terça-feira o crédito por “inaugurar a maior e mais bem-sucedida era da história” do país, advogando que realizou mais nos primeiros dias de Governo do que a maioria “realiza em quatro ou oito anos”. Adotando uma retórica de vitória, destacando que nas últimas seis semanas assinou cerca de 100 ordens executivas e mais de 400 ações executivas para restaurar o “senso comum, a segurança, o otimismo e a riqueza” nos Estados Unidos.

Numa situação pouco comum, o congressista democrata Al Green acabou expulso da sessão por interromper o discurso de Trump com protestos.

Ao longo do discurso, vários membros do Partido Democrata tentaram interromper a sessão conjunta do Congresso com vaias, enquanto o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, teve que pedir ordem repetidamente. Além disso, várias congressistas da Bancada Democrática de Mulheres compareceram ao discurso do Presidente dos Estados Unidos, no Capitólio, vestidas de rosa em sinal de protesto contra a sua gestão.

Rosa não é apenas uma cor, é um símbolo de protesto, um símbolo do poder e da perseverança das mulheres. A verdade é que as mulheres não podem dar-se ao luxo de ter Trump”, escreveu na plataforma X a congressista democrata Norma Torres.

A abertura do discurso de Trump foi dedicada a enaltecer os primeiros 43 dias do seu novo mandato, avaliando que desde o dia em que tomou posse tem adotado uma ação “rápida e implacável” para recuperar o “espírito”, “orgulho” e “confiança” do povo norte-americano.