SPHEREX, o novo telescópio espacial da NASA e os satélites PUNCH, apanharam esta quarta-feira “boleia” para o espaço, a bordo do foguetão reutilizável Falcon 9, da SpaceX, informou a agência espacial dos Estados Unidos da América. Tudo correu bem, depois de vicissitudes anteriores e já estão em órbita, na missão destinada a mapear e explorar as origens do universo, procurar reservatórios ocultos de água na Via Láctea, fundamental para a existência de vida, e estudar o sol.

A missão SphereX vai, durante dois anos, tentar localizar os “ingredientes” essenciais à vida em regiões compostas por gás e pó chamadas de nebulosas ou nuvens moleculares, bem como em discos protoplanetários, onde estrelas e planetas se formam. Para isso vai utilizar espetroscopia visível e de infravermelho próximo para reunir dados sobre mais de 450 milhões de galáxias e 100 milhões de estrelas na Via Láctea. O telescópio está equipado com um espetrofotómetro em forma de prisma que consegue detetar comprimentos de onda invisíveis ao olho humano.

Vai ser criado um mapa do universo em 102 faixas de cores diferentes, uma melhoria significativa em relação à resolução de cores em mapas anteriores. Vão ser ainda identificados alvos para estudos de missões futuras.

Keighley Rockcliffe, especialista da Universidade de Maryland que estuda atmosferas de exoplanetas no Goddard Space Flight Center da NASA, disse ao Space.com que “esta é a chave para procurar água e outras moléculas e compostos associados à vida”.

Outro objetivo é ajudar os cientistas a compreender o fenómeno que ocorreu após o Big Bang chamado de inflação cósmica, em que o universo se expandiu mais rápido que a velocidade da luz durante uma fração de segundo.

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A missão PUNCH, um investimento de 150 milhões de dólares (mais 138 milhões de euros) traduz-se numa constelação de quatro satélites do tamanho de uma mala de viagens que visa entender como o vento solar é impulsionado por erupções no sol e capturar imagens 3D da atmosfera externa da estrela.

Um dos quatro satélites é equipado com um coronógrafo de bloqueio solar, enquanto os outros três são projetados para medir o vento solar. Juntos, conseguem observar tridimensionalmente toda a heliosfera interna do sol.

A NASA anunciou esta quarta-feira que SPHEREX e PUNCH tiveram a aquisição completa do sinal logo após os lançamentos, na terça-feira, dia 11, o que significa que a comunicação entre as naves e os controladores da missão foi estabelecida com sucesso.

A NASA optou por lançar o SPHEREx e o PUNCH juntos, usando a capacidade excedente no Falcon 9, da SpaceX originalmente destinada ao SPHEREx, já que ambas as missões se dirigiam para órbitas semelhantes. A decisão faz parte da estratégia da NASA para aproveitar as oportunidades de lançamento de viagens compartilhadas.

O Falcon 9 descolou do Complexo de Lançamento Espacial 4 Leste (SLC-4E), na Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, às 20h10, (horário do Pacífico, 3h10 de quarta-feira em Lisboa) e colocou em órbitas sincronizadas com o sol o telescópio Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization and Ices Explorer (SPHEREx) e os quatro satélites da missão Polarimeter to Unify the Corona and Heliosphere (PUNCH).

O SPHEREX foi implantado primeiro, cerca de 30 minutos após a descolagem, seguido pelo PUNCH, dez minutos depois. O primeiro estágio do foguetão fez um retorno automatizado ao local de lançamento após a descolagem.

O lançamento do SPHEREx e do PUNCH foi bem sucedido após ter sido adiado durante quase duas semanas, devido a problemas no processo de lançamento. “Tivemos uma série de problemas de integração”, disse Julianna Scheiman, diretora de missões científicas da NASA na SpaceX, citada pela SpaceNews.

Um dos problemas foi um vazamento no sistema pneumático que separa a carenagem em voo, que obrigou à sua remoção para a reparar, antes de a reinstalar. O clima também atrasou o transporte da carga útil encapsulada da instalação para a plataforma de lançamento.

Houve atrasos adicionais após o briefing de pré-lançamento. A NASA e a SpaceX cancelaram uma tentativa de lançamento a 8 de março por causa de um problema não especificado com o Falcon 9, enquanto outra tentativa, a 10 de março, foi cancelada menos de uma hora antes da descolagem devido ao mau tempo e a um “problema de fluxo de dados terrestres” com o SPHEREx.

O lançamento ocorreu no mesmo dia em que a NASA e a SpaceX anunciaram o adiamento do lançamento de uma tripulação substituta de quatro astronautas para a Estação Espacial Internacional, que permitiria aos astronautas norte-americanos Butch Wilmore e Suni Williams — que estão presos no espaço há nove meses após uma viagem no veículo Starliner da Boeing — regressar a casa.

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