O novo Citröen C3 Aircross é o mais recente modelo com sete lugares a chegar ao mercado, mas o seu trunfo reside no facto de ser igualmente um dos mais acessíveis, em companhia do Dacia Jogger. Derivando do popular C3, o C3 Aircross é esteticamente atraente, mas obviamente maior do que o veículo que lhe dá origem, crescendo em comprimento 38 cm (atingindo 4,395 m, em vez de 4,015 m) e 13 cm na distância entre eixos, que passa a ser de 2,67 m, em vez dos 2,54 m do C3.

O maior comprimento e, sobretudo, a distância entre eixos mais generosa, permitem ao C3 Aircross oferecer um interior mais habitável, sobretudo para os ocupantes do assento posterior, que passam a beneficiar de um maior espaço para as pernas. A versão Aircross do C3 oferece ainda mais 5 cm em altura, o que se nota a bordo, reforçando a sensação de espaço interior e favorecendo a bagageira, cuja capacidade sobe de 310 litros (no C3) para 460 no C3 Aircross.

Um dos maiores trunfos do C3 Aircross, especialmente face ao C3 que lhe serve de base, é o facto de este ser um modelo utilitário (segmento B) com cerca de 4 metros de bitola, enquanto o primeiro — ao ser mais comprido, alto e com pormenores na carroçaria que lhe conferem um aspecto mais radical — se posiciona para competir com os restantes SUV do segmento B. Isto significa disputar o mercado com os tradicionais líderes deste que é um dos segmentos com maior procura em Portugal e na Europa, como o Peugeot 2008 ou o Renault Captur. Curiosamente, estes dois veículos são ambos menos compridos e mais curtos entre eixos do que o C3 Aircross, além de oferecerem uma bagageira menos volumosa.

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Para os clientes que procuram um veículo familiar com capacidade para transportar ocasionalmente sete ocupantes — uma vez que, neste segmento, a terceira fila de bancos não aconselha a deslocações mais longas —, o C3 Aircross vai ter de enfrentar o Dacia Jogger, que até aqui detinha o monopólio nesta gama de preços e que é substancialmente mais comprido (4,547m), disponibilizando ainda uma distância entre eixos mais generosa (2,898m), o que garante mais espaço para a 3ª fila de assentos. Em contrapartida, o Citroën tem a vantagem de oferecer uma gama completa, com motores a combustão e eléctricos, sendo ainda (ligeiramente) mais acessível ao comercializar a versão a gasolina com sete lugares por 21.890€, contra 22.050€ da versão equivalente do Dacia. Ainda assim, para quem possa acomodar-se às limitações do GPL, recorde-se que a marca romena comercializa a versão bi-fuel por apenas 19.250€.

ë-C3 Aircross eléctrico promete fazer a diferença

O novo C3 Aircross é proposto com versões de cinco e de sete lugares, com a terceira fila de bancos a estar disponível a partir da versão Plus, a intermédia entre a mais acessível You e a mais equipada Max, por um adicional de apenas 700€. As primeiras duas motorizações a surgir montam o tricilíndrico sobrealimentado com 1,2 litros de capacidade e 100 cv de potência, anunciando um consumo médio em WLTP de 5,9 l/100 km ou, em alternativa, a versão mild hybrid, que o construtor denomina Hybrid e que recorre à mesma unidade a combustão, mas numa versão mais “puxada”, de forma a fornecer 136 cv, sendo que a electrificação fica a cargo de um pequeno motor com 29 cv, alimentado por uma bateria com somente 0,43 kWh úteis. O C3 Aircross Hybrid exige uns adicionais 5300€ e, embora prometa mais velocidade e aceleração, reduz o consumo médio anunciado em apenas 0,6 litros (5,3 l/100 km).

Porém, para alguns condutores, é provável que a proposta mais interessante seja o ë-C3 Aircross, o eléctrico da família. Este modelo, que herda o motor e a bateria que já conhecíamos do mais pequeno ë-C3, continua a disponibilizar um motor com 113 cv (83 kW), alimentado por uma bateria LFP com uma capacidade útil de 43,8 kWh, que recarrega a 100 kW em corrente contínua (DC) e até 11 kW em corrente alternada (AC), o que lhe permite anunciar uma autonomia de 307 km, uma velocidade máxima de 143 km/h e 0-100 km/h em 12,9 segundos.

Conduzimos o novo ë-C3 Aircross durante um breve trajecto e, apesar da diferença nas dimensões e peso, não há alterações significativas no comportamento, conforto ou até capacidade de aceleração, sendo que o ë-C3 anuncia 135 km/h e 11,0 segundos de 0-100 km/h. A posição de condução é correcta e a sensação de qualidade a bordo é boa, pois embora os plásticos sejam duros, a realidade é que não produzem ruídos parasitas, nem em piso menos bom. Revelando-se confortável, este B-SUV oferece um espaço atrás (na segunda fila de bancos) superior à maioria dos seus rivais, o mesmo acontecendo com a capacidade da bagageira.

Com um comportamento equilibrado e capaz de manter um ritmo interessante, o C3 Aircross eléctrico poderia, contudo, melhorar no consumo. Isto porque, numa condução calma, é fácil registar 19 kWh/100 km, valor que está em linha com o anunciado pelo fabricante (18,3 kWh/100), mas que impede este Citroën de ir mais longe entre as visitas ao posto de carga. Para termos uma ideia, o ë-C4, maior e mais pesado, é quase 20% mais eficiente. Ainda assim, o ë-C3 Aircross compensa ao ser oferecido por 26.490€ na versão You, a mais acessível, com o preço final a dar “saltos” de 2.200€ quando o nível de equipamento evolui para Plus e Max, a mais sofisticada. Isto coloca o B-SUV da Citroën na liderança dos eléctricos deste segmento.