Dois remates. Esta quinta-feira, no Parken Stadium de Copenhaga, Portugal rematou à baliza da Dinamarca apenas duas vezes. Pedro Neto foi o responsável pelas únicas duas vezes em que Kasper Schmeichel foi testado ao longo de mais de 90 minutos — um dos muitos números que espelham a exibição constrangedora da Seleção Nacional.
Levaram a depressão na mala e uma cabeça cheia de vento (a crónica do Dinamarca-Portugal)
Portugal leva agora apenas quatro vitórias nos últimos dez jogos, com duas derrotas e quatro empates nesse período, e consentiu 23 remates à Dinamarca, um registo elevado que não se via desde a eliminação contra França nos quartos de final do Euro 2024. Numa análise mais específica, a equipa de Roberto Martínez permitiu nove pontapés enquadrados à baliza pelo segundo encontro consecutivo, já que tinha acontecido exatamente o mesmo contra a Croácia na última jornada da fase de grupos da Liga das Nações.
Com a derrota em Copenhaga, Portugal tem agora de vencer a Dinamarca no próximo domingo, na segunda mão em Alvalade, para marcar presença na final four da Liga das Nações. Também esta quinta-feira, nos outros jogos da ronda, Países Baixos e Espanha empataram em Roterdão (2-2), a Croácia venceu França em Split (2-0) e a Alemanha derrotou Itália em Milão (1-2).
????????Roberto Martínez só venceu 4 dos últimos 10 jogos pela Seleção Nacional.
Nessa série, registou ainda 4 empates e 2 derrotas frente à Geórgia e Dinamarca. pic.twitter.com/ILdx92QFV4
— Playmaker (@playmaker_PT) March 20, 2025
Depois do apito final, na zona de entrevistas rápidas, Roberto Martínez não mediu as palavras para classificar a prestação da Seleção Nacional. “Foi a nossa pior exibição nos últimos dois anos, sem dúvida. Não tem a ver com o plano. Acho que durante o jogo não fizemos o que tínhamos de fazer para jogar com o ambiente, a agressividade da Dinamarca. Precisamos de jogos assim. Viemos de uma paragem de cinco meses, não entrámos com intensidade, a pressão da Dinamarca foi muito eficaz. Seria muito fácil para nós jogar bola longa e não tentar melhorar como equipa. Sofremos durante momentos. Acho que o Diogo Costa deu uma oportunidade para ir à segunda mão com confiança, a acreditar”, disse o selecionador nacional.
“Houve falta de intensidade, não ganhámos duelos, não antecipámos as zonas que a Dinamarca gosta de explorar, faltou não perder a bola em situações desnecessárias, faltaram linhas de passe. Faltou uma sintonia necessária. A atitude foi fantástica, mas o nosso desempenho não esteve ao nível que esperamos. Os jogadores estão focados em aproveitar o apoio de Alvalade para terminar o que temos de fazer”, atirou o treinador espanhol.
Nos últimos dois jogos da Seleção Nacional, frente à Croácia e Dinamarca, registou-se 9 remates à baliza de ????????Portugal:
7 defesas ????????Diogo Costa vs ????????Dinamarca
6 defesas ????????José Sá vs ????????Croácia pic.twitter.com/Lkcq92awsS— Playmaker (@playmaker_PT) March 20, 2025
Já Rúben Dias, que foi titular no eixo defensivo, mostrou-se muito crítico em relação à exibição portuguesa. “Faltou intensidade, ganhar duelos e faltaram coisas para as quais vamos olhar agora. Há valores que são inegociáveis e ter intensidade e ganhar duelos são coisas inegociáveis. Não nos apanharam de surpresa porque sabemos a qualidade que têm”, começou por dizer o central do Manchester City.
“Vamos olhar para a frente e, se queremos preparar esta Seleção e geração para ganhar em grande, é com jogos destes e não com jogos mais fáceis e a brilhar em jogos que não têm tanta dificuldade. É aqui que temos de crescer e ser bons. Num jogo destes, não igualando a intensidade e agressividade nos duelos, fica difícil competir porque do outro lado há uma equipa com qualidade. Sem essa agressividade nem o melhor plano do mundo resulta”, acrescentou o internacional português.