Milhares de pessoas voltaram a manifestar-se pelo terceiro dia consecutivo contra a detenção do presidente da Câmara de Istambul e o nomeado para ser o principal candidato da oposição turca, Ekrem Imamoglu, apesar do apelo do Presidente do país, Recep Tayyip Erdogan contra os protestos.

A polícia carregou sobre a multidão, com gás lacrimogéneo, canhões de água e usando bastões num protesto à porta da Univesidade Dokuz Eylüla, “Aqueles que criminalizam o protesto, a rua, a praça e a ação são ditadores que têm medo dela”, disse o presidente do Partido Democrático do Povo (CHP, na sigla turca), Özgür Özel, perante os manifestantes, que serem “300 mil”.

“Os democratas não têm medo da praça, os democratas são corajosos, respeitosos e compreensivos em relação ao protesto. Mas os ditadores têm medo das praças. Se Erdoğan tem medo desta praça é um ditador“, declarou citado pela agência turca Anka Haber.

Na praça Saraçhane, Özel questionou diretamente Erdogan. “Será que a nação está mais rica depois de todos estes anos no poder? A nação é mais feliz? A nação é mais pacífica? Os jovens têm mais esperança no futuro? A pobreza acabou neste país? Então porque é que havemos de manter este governo no poder“, questionou. Para Ozel, “não há outra solução” a não ser “mandar este governo embora”.

As manifestações foram novamente convocadas pelo CHP, que Imamoglu iria representar nas próximas presidenciais, previstas apenas para 2028. “A Turquia não é um país que esteja nas ruas e não vai ser deixado ao terrorismo da rua“, afirmou Erdogan, sublinhando que os protestos eram “ilegais”.

Para Erdogan, ao apelar aos protestos, o CHP tem feito “declarações problemáticas” que levam a que o partido esteja a perder “o seu estatuto como um partido que atua numa base política legítima”.

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As próximas eleições turcas serão as últimas a que Erdogan, no poder desde 2003 — primeiro como primeiro-ministro e depois como Presidente da Turquia, cargo que assumiu em 2014–, pode concorrer.

Imamoglu preparava-se para voltar vencer as primárias do CHP, que se vão realizar este domingo, e assumir-se como a principal ameaça ao poder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, que Erdogan fundou.

Porém, desde terça-feira, uma série de eventos acabaram com este plano. Primeiro, a licenciatura de Imamoglu foi anulada pela Universidade de Istambul, sob acusações de ter falsificado o diploma. Só a anulação do grau retiraria Imamoglu da corrida, já que é um dos requisitos exigidos pela lei turca para alguém se candidatar a Presidente do país.

Depois, o candidato foi detido sob suspeita de corrupção e de estar a colaborar com o PKK (Partido dos Trabalhadores Curdos), organização militante curda considerada terrorista pelo Governo turco. “Uma operação anti-corrupção em Istambul está a ser utilizada como desculpa para provocar agitação nas nossas ruas. Quero que se saiba que não permitiremos que um punhado de oportunistas provoque agitação na Turquia apenas para proteger os seus esquemas de pilhagem”, disse o Presidente turco.