Francisco Rodrigues dos Santos apoia Henrique Gouveia e Melo na corrida a Belém – mesmo que ainda não exista candidatura oficial –, elogia os “valores civilizacionais” que vêm com o uniforme, e vê no antigo Chefe do Estado Maior da Armada uma “antítese perfeita” da “banalização” do cargo de Presidente da República que considera que vai sendo levada a cabo por Marcelo Rebelo de Sousa. O antigo líder do CDS-PP considera que os centristas “não têm muitas opções” que não sejam apoiar Luís Marques Mendes nas eleições presidenciais, por uma questão de “lealdade e respeito” para com a aliança com o PSD.

Esta sexta-feira, foi anunciado o lançamento de uma associação cívica com o objetivo de dar “conforto” a Gouveia e Melo para avançar com uma candidatura às presidenciais de 2026, que conta com o apoio de várias personalidades do PSD, mas onde surge também o nome do ex-presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos.

Em entrevista ao Explicador da Rádio Observador, o centrista elencou as principais razões para querer o almirante em Belém, que passam pela “necessidade de reabilitar a instituição do mais alto magistrado da nação”, mas também pelo facto de Gouveia e Melo se tratar de “alguém que está acima dos partidos e que, neste caso, tem uma posição equidistante relativamente a eles”. Destacou ainda o percurso profissional do agora militar na reserva, que “respalda méritos que são inequívocos e inquestionáveis”, dando o exemplo do processo de vacinação contra a covid-19, liderado por Gouveia e Melo.

Francisco Rodrigues dos Santos vê em Gouveia e Melo “antítese perfeita” de Marcelo Rebelo de Sousa, que “banalizou” cadeira de Presidente

Por fim, não fugiu à questão da farda: “Acredito que é uma pessoa que, pelo seu uniforme, representa um conjunto de valores que são civilizacionais, que é importante destacarmos no mundo moderno, como é o caso do patriotismo, do espírito de serviço, da solidariedade”. Questionado sobre se via o uniforme — ou seja, o percurso militar — como uma vantagem para um candidato presidencial, Rodrigues dos Santos esclareceu que “um uniforme não é um inconveniente”, que pode acarretar “um conjunto de características e uma matriz moral e ética” que considera relevantes, tendo em conta a sua própria formação militar, e garantiu que os portugueses “veem no uniforme uma característica positiva, precisamente pelos valores que encerra”.

Além disso, e mesmo tendo sido apoiante de Marcelo Rebelo de Sousa nas últimas eleições presidenciais, Francisco Rodrigues dos Santos fez notar que o almirante é, de todos os candidatos que se vão perfilando, “aquele que protagoniza uma antítese mais perfeita da banalização da cadeira de Presidente que foi levada a cabo” pelo atual Chefe de Estado. “Acho que os portugueses, nesta altura, procuram mais do que identificar uma doutrina política da ação clara, um conjunto de características pessoais capazes de dignificar a cadeira de Belém”, afirmou também. Com isto, não quer dizer que Marcelo não tenha dignificado a função, mas sim que os seus dois mandatos tiveram “qualidades inequívocas” e erros, “aqui e ali”, que é preciso mitigar, como “excessos de linguagem, de hiperatividade, de vulgarização e alguma banalização que aconteceu da figura presidencial, quase omnipresente e omnisciente, que levou a alguma descaracterização institucional da própria função”. Nesse sentido, explicou acreditar que os portugueses “encontram em Gouveia e Melo alguém capaz de corrigir os defeitos da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa”.

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Apesar desta posição, o ex-líder do CDS disse que o partido, atualmente chefiado por Nuno Melo, dificilmente seguirá o mesmo caminho, por causa da ligação “umbilical” que mantém como o PSD, na composição da Aliança Democrática. Notando que os centristas funcionam “quase como uma filial, numa lógica satélite” dos social-democratas”, Rodrigues dos Santos não tem dúvidas que o partido não tem alternativa sem ser apoiar Luís Marques Mendes, “por uma lógica de lealdade e de respeito no quadro da coligação em que está inserido”. “Fará algum sentido que os ministros vão fazer campanha uns por um candidato, outros por outro? Que uma coligação que se apresenta a votos unida em eleições regionais, em eleições autárquicas, em eleições legislativas que agora se desagregue no apoio presidencial?”, exemplificou.

Já sobre uma eventual candidatura a Belém de Paulo Portas, histórico líder do CDS que foi muito crítico do período de Francisco Rodrigues dos Santos à frente do partido, o antigo dirigente disse não querer comentar “candidaturas hipotéticas” – mesmo que agora avance para o apoio a uma candidatura que ainda não existe – mas que também não acredita que Portas vá avançar para a corrida. “Não vejo esse cenário como possível, e acredito que se fosse mais do que um cenário especulativo, já se saberia mais do que aquilo que, ao momento, é conhecido”.