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O candidato presidencial Luís Marques Mendes defendeu esta sexta-feira um “acordo de estabilidade” entre o PSD e o PS para garantir a governabilidade do país e evitar a realização de eleições de ano em ano.
Em Vila Verde, distrito de Braga, onde participou numa conferência sobre “O sistema parlamentar português e a construção de governos estáveis: saídas e bloqueios”, Marques Mendes disse que aquele acordo teria de passar pela não apresentação de moções de censura e de confiança e pela negociação dos orçamentos do Estado.
“Esta é a minha proposta para o país, digo aqui a todos com esta clareza, talvez pela primeira vez, com esta clareza total. A minha proposta para o país é um acordo PS/PSD, chamado acordo para a estabilidade, que envolve o compromisso de não apresentar emoções de censura, não apresentar emoções de confiança e negociar os orçamentos”, sublinhou.
Marques Mendes lembrou que “há o risco” de nas Legislativas de maio voltar a sair um Parlamento “muito dividido e fragmentado” e um governo “ultraminoritário“.
“Há o risco de esta situação continuar no futuro. Ganhe quem ganhar as eleições, podemos continuar a ter eleições de ano em ano”, vincou.
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Por isso, considerou que o acordo entre o PSD e o PS, apesar de se afigurar difícil porque as posições estão extremadas, “é o mínimo para o país ter estabilidade”. “Sem estabilidade, o país não consegue criar riqueza, os salários não aumentam, os jovens continuam a sair de Portugal”, alertou.
Para Marques Mendes, a crise política que redundou na marcação de eleições antecipadas “não agradou a nenhum português, da esquerda ao centro e à direita“. “Ninguém gostou da ideia de eleições, e com toda a razão. E pode haver um risco muito forte nas eleições do dia 18 de maio, que é de os portugueses, irritados, indignados como as eleições que não percebem, e eu compreendo-os, não irem votar”, disse ainda, alertando que, com o aumento da abstenção, a democracia pode perder qualidade.
Marques Mendes diz ter o apoio de “mais de 95%” dos presidentes de câmara do PSD
O candidato presidencial garantiu ainda ter o apoio de “mais de 95 por cento” dos presidentes de câmara do PSD, destacando ainda que terá a “senadora da República” Leonor Beleza como presidente da comissão de honra. O ex-presidente do PSD disse ainda não sentir qualquer desconforto com o apoio de algumas figuras do PSD à eventual candidatura de Gouveia e Melo.
“Cada um tem os seus apoios, só posso saudá-los. Eu também estou muito feliz com os apoios que tenho. Mais de 95 % dos presidentes de câmaras do PSD, apoios de vários presidentes de câmaras independentes, até um da área socialista, de personalidades independentes, mas também mais ligadas ao PS ou ligadas ao CDS e ao PSD, evidentemente. E, portanto, saúdo-os a todos. A todos, com todo o gosto”, afirmou. Garantiu ainda que tem o apoio da “generalidade de todas as distritais” do PSD.
Uma associação cívica foi esta sexta-feira oficialmente lançada com o intuito de dar “o conforto necessário” ao almirante Henrique Gouveia e Melo para avançar com uma candidatura às presidenciais. A associação conta com o apoio de várias personalidades do PSD, como ex-presidente do Governo Regional da Madeira Alberto João Jardim, o ex-ministro da Administração Interna Ângelo Correia, o ex-líder parlamentar social-democrata Adão Silva, os presidentes das câmaras de Cascais, Carlos Carreiras, e de Oeiras, Isaltino Morais, ou o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros António Martins da Cruz.
“É normalíssimo em eleições presidenciais. E eu também sinto conforto, por exemplo, por ter Leonor Beleza, uma senadora da República, uma referência do país, como minha presidente da Comissão de Honra. Foi das coisas mais confortáveis que eu tive esta semana”, sublinhou.
Questionado se ficaria mais confortável com a formalização do apoio do PSD à sua candidatura, Marques Mendes respondeu afirmativamente. “Claro que sim, mas isto tem o seu tempo. Agora temos primeiro eleições legislativas”, rematou.