Mais de 900 crianças e jovens são, atualmente, acompanhadas (de forma sistemática ou pontual) pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC) em contexto de rua na zona metropolitana de Lisboa — neste grupo encontram-se casos de fuga de casa e de instituições, menores que passam longas horas do dia sem supervisão e que, por isso, correm riscos. O número aumentou significativamente de 2023, quando estavam sinalizados 648 menores, para 2024, quando o instituto passou a trabalhar de perto com 953. O que representa uma subida de 47% no espaço de um ano.
De acordo com o Público, que avança a informação com base nos dados do Projeto Rua, divulgados no Relatório de Atividades do IAC para 2024, o número de crianças e jovens encontradas na rua e a receber acompanhamento — na capital e arredores — tem vindo sempre a aumentar desde 2022.
Em declarações ao jornal, Matilde Sirgado, que coordena o Projeto Rua diz que “uma das causas para este aumento das crianças acompanhadas em contexto de rua é a pobreza e a crise da habitação“.
Destaca ainda os casos de menores que passam longas horas fora de casa, sem ir à escola, sem supervisão parental, em situação de risco mesmo estando à guarda dos pais. Pertencem muitas vezes a famílias monoparentais, em que mãe ou pai saem de madrugada e só regressam à noite, relatou a responsável.