Ângela Almeida — deputada do PSD que foi a número três do distrito de Aveiro nas legislativas de 2024 — comunicou aos serviços da Assembleia da República que tem como habilitações uma “licenciatura em Português Latim e Grego”. Mas a Universidade de Aveiro negou ao Observador, tal como tinha avançado a RIA, que a deputada tenha essas qualificações: “Ângela Almeida esteve inscrita e frequentou [o curso], não tendo concluído a referida licenciatura.” Assim, apesar de ter sido indicada pela concelhia do PSD/Aveiro para as eleições de maio, o facto de ter mentido sobre as qualificações levou a que fosse excluída das listas, confirmou ao Observador o líder distrital, Emídio Sousa.

Ângela Almeida mantém-se atualmente deputada e, apesar de a Assembleia da República estar dissolvida — vai continuar a receber o vencimento até à instalação do novo Parlamento em junho. A deputada é também presidente da junta de freguesia da Esgueira, estando no terceiro mandato. As falsas referências às habilitações já vêm de anos anteriores e até aparecem no Diário da República.

Num aviso da autarquia que dirige, de 27 de agosto de 2018, a presidente da junta de freguesia refere-se a si própria no aviso como “Dra. Ângela“, nesse caso a propósito de um concurso em que é presidente do júri.

Excerto de Diário da República de 21 de setembro de 2018

Mas a declaração de falsas habilitações continuou. Na biografia no site do Parlamento — que é preenchida com base em informações dos próprios deputados — Ângela Almeida informou que tinha como habilitações literárias uma “Licenciatura em Português Latim e Grego”. O mesmo aconteceu na página do Grupo Parlamentar do PSD.

A página biográfica de Ângela Almeida, acedida pelo Observador esta quinta-feira, 27 de março

A página de Ângela Almeida no site do Grupo Parlamentar do PSD, acedida pelo Observador esta quinta-feira, 27 de março

Questionada pelos jornalistas da RIA sobre ter mentido nas qualificações, Ângela Almeida disse que “não precisa de provar nada a ninguém, está tudo provado”. E sugeriu que as suspeições sobre o facto de não ter licenciatura era uma “maledicência”. Mas eram mesmo verdade e foram confirmadas pela Universidade.

Já depois de começar a circular nos bastidores do partido que teria mentido sobre as qualificações, a concelhia do PSD/Aveiro partilhou uma publicação com a escolha de Ângela Almeida para a lista de deputados, insistindo em divulgar a informação de que a deputada era “licenciada em Português, Latim e Grego pela Universidade de Aveiro”.

O Observador tentou contactar várias vezes a deputada do PSD para o seu contacto telefónico, mas não foi possível chegar à fala com Ângela Almeida até à hora de publicação desta notícia.

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