O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) alerta para a existência de uma representação de uma organização extremista internacional em Portugal, classificada em vários países como organização terrorista. E conclui que jovens entre os 12 e os 16 anos produziram e venderam, no ano passado, conteúdos íntimos online e foram identificadas crianças entre os 10 e os 13 anos como responsáveis pela criação destes grupos de partilha.

Quanto a organização extremista, de acordo com o documento preliminar apresentado e aprovado esta segunda-feira na reunião do Conselho Superior de Segurança Interna, e a que a Lusa teve acesso, não existe em Portugal nenhuma organização de extrema-direita classificada como terrorista, apesar de existir um braço de uma organização extremista internacional que é classificada como terrorista noutros países.

Sem especificar qual é a organização em questão, o RASI aponta para a existência deste ramo de uma organização extremista em Portugal, que já foi alvo de sanções financeiras em vários países por financiamento de terrorismo.

Esta organização, acrescenta o relatório que seguiu para o parlamento, promove encontros através de eventos musicais, incluindo em território nacional, e que funcionam como método de recrutamento de militantes e como forma de financiamento para produção de material de propaganda, por exemplo.

Neste caso, a inexistência de uma posição comum a nível global em relação às organizações que são consideradas terroristas permite que estes grupos desenvolvam a sua atividade em vários países. O RASI refere ainda que se verifica com frequência a deslocalização de alguns dos seus membros.

No contexto das organizações extremistas, Portugal continua a ter os tradicionais movimentos skinheads, de supremacia branca e caráter neonazi, que não são, no entanto, tão apelativas para os jovens como os novos movimentos nacionalistas de extrema-direita que surgem através das redes sociais.

Estes novos movimentos que têm uma forte presença nas redes sociais surgem com líderes carismáticos, que o RASI descreve como verdadeiros influencers, e que têm como bandeiras as teorias da islamização da Europa e a alegada insegurança provocada pela imigração.

Jovens entre os 12 e os 16 anos venderam conteúdos íntimos online

Já quanto à partilha de imagens íntimas, o relatório conclui que jovens entre os 12 e os 16 anos produziram e venderam, no ano passado, conteúdos deste género online, tendo sido identificadas crianças entre os 10 e os 13 anos como responsáveis pela criação destes grupos de partilha.

A informação consta no documento preliminar do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) apresentado esta segunda-feira durante a reunião do Conselho Superior de Segurança Interna, e a que a Lusa teve acesso, e alerta para conteúdos autoproduzidos por jovens entre os 12 e os 16 anos.

A produção destes conteúdos tem como objetivo a sua venda através da partilha em grupos de WhatsApp, que são criados para distribuir também pornografia de adultos e conteúdos de violência extrema, incluindo violência praticada contra crianças, revela o documento preliminar.

O RASI adianta mesmo que as investigações das autoridades conseguiram identificar, no ano passado, crianças entre os 10 e os 13 anos como responsáveis pela criação destes grupos onde é partilhada informação e cuja sua partilha, só por si, já constitui crime. Estes casos foram, lê-se no documento, enviados para os tribunais de família e menores, uma vez que as crianças e jovens identificados são menores de idade.

Esta informação surge no capítulo do RASI dedicado à exploração de menores online, que está incluído na criminalidade informática. A exploração de menores online, detalha ainda o RASI, continua a ser uma das prioridades a nível europeu.

No ano passado, as autoridades identificaram uma elevada prevalência da distribuição de pornografia em redes como Instagram, YouTube, Facebook, WhatsApp, Telegram e Google Drive, assim como a partilha de conteúdos de abuso e exploração sexual de crianças através da darknet.