Chegou o dia mais esperado. Etapa rainha é sinónimo de grandes emoções e de todas as decisões. Principalmente para João Almeida. O português da UAE Team Emirates-XRG chegou ao último dia da Volta ao País Basco na liderança da classificação geral — e ainda dos pontos —, com 30 segundos de vantagem para Maximilian Schachmann (Soudal Quick-Step). Depois de uma quarta etapa de exceção, com direito a triunfo, o Bota Lume controlou as investidas na penúltima tirada, vencida com mestria por Ben Healy (EF Education-EasyPost), e ficou cada vez mais perto de vencer pela segunda vez uma prova por etapas de categoria World Tour, depois de ter conquistado a Volta à Polónia em 2021. Segundo o próprio, estava à beira de somar a vitória mais importante da sua carreira.

O Pantera botou lume e mostrou quem é o (novo) João Almeida: ciclista da Emirates é o primeiro português a vencer a Volta ao País Basco

“Foi bom. Acho que o amarelo me assenta bem (risos). Foi um bom dia, rápido e muito difícil, mas estou muito feliz. A equipa foi fantástica. Controlámos quando foi preciso e diminuímos as chances quando chegou a hora, no final. Quero destacar especialmente o desempenho do [Igor] Arrieta. Apesar da queda, recuperou e continuou a acelerar forte. Na última subida não estava numa posição perfeita, para ser honesto. Sábado? Não tenho medo de ninguém. Todo o top 5 está realmente forte. Vai ser uma grande luta, mas tenho que ter confiança e dar o meu melhor. Será um dia mais para atacar do que para defender. Se tiver pernas, atacarei. Se ganhar, será a vitória mais importante da minha carreira”, realçou.

Entrámos assim na etapa mais importante da corrida basca. Como tem sido tradição, o último dia ficou marcado por um percurso em torno de Eibar, com 153,4 quilómetros e sete contagens de montanha. As subidas longas e íngremes tinham potencial para apimentar a luta pela geral, tendo a capacidade de provocar grandes reviravoltas. A cerca de 30 quilómetros da meta, o pelotão tinha pela frente o regresso a Izua, onde João Almeida deixou todos para trás na quarta etapa, e era ali que se esperava que a etapa pudesse resolvida, antes de um final bem mais tranquilo que o dos últimos dias.

Como seria de esperar, os ataques começaram desde cedo e, na frente, acabou por formar-se um grupo de 22 elementos, com destaque para as presenças de Healy, Daniel Martínez (Red Bull-Bora-hansgrohe), Warren Barguil (Picnic PostNL), Romain Grégoire (Groupama-FDJ) e, principalmente, Jordan Jegat (TotalEnergies) que, com os seus 3.18 minutos de atraso, chegou a intrometer-se na luta pela geral, ocupando virtualmente o terceiro lugar. Ainda assim, o trabalho da Emirates permitiu controlar a fuga, com a chuva a intensificar-se à medida que os ciclistas se aproximavam da cidade de Eibar.

A 44 quilómetros da meta, Maxim van Gils e Florian Lipowitz (Red Bull) foram ao chão, na parte da frente do pelotão. Almeida e a Emirates sobreviveram ao incidente e aproveitaram para endurecer o ritmo no início da subida de Izua, partindo o grupo. O azar continuou a bater à porta de Lipowitz que, depois de cair, foi obrigado a trocar de bicicleta, ficando praticamente arredado da luta pela vitória. Na frente, Ben Healy aproveitava para deixar Daniel Martínez para trás. João Almeida acabou mesmo por atacar nessa fase, com apenas Enric Mas (Movistar), Jegat e o companheiro Marc Soler a conseguirem acompanhá-lo. O grupo acabou por crescer na descida, ainda sem Schachmann. A iniciativa do irlandês ainda chegou ao sopé de Trabakua, mas não durou muito mais.

Na subida, o português abriu novamente as hostilidades com um ataque a dois quilómetros do alto, seguido apenas por Mas e Mattias Skjelmose (Lidl-Trek), que espreitavam a entrada no pódio. Ainda assim, Isaac del Toro (Emirates), Healy e Jegat conseguiram reagrupar antes da descida. Novamente debaixo de chuva, Skjelmose perdeu tração numa curva, caiu, teve de trocar de bicicleta e foi alcançado pelo segundo grupo. Com a meta a aproximar-se, Enric Mas começava a mostrar-se insatisfeito com a pouca colaboração do português e do irlandês e, pouco depois, Del Toro reentrou. Já em Eibar, Mas e Almeida voltaram a ficar sozinhos na derradeira rampa e, nos últimos metros, o ciclista de A dos Francos bateu o Movistar ao sprint e somou a segunda vitória nesta edição.

Assim, o português sentenciou o triunfo na Volta ao País Basco, naquela que é a primeira vitória portuguesa na corrida basca. A par de Rui Costa, que ganhou a Volta à Suíça em três ocasiões, João Almeida é o segundo português a conquistar uma prova de uma semana de elite. O atleta da Emirates terminou a corrida com 1.52 minutos de avanço sobre Enric Mas e 1.59 para Maximilian Schachmann. Com o triunfo desta sábado, garantiu ainda a conquista da classificação dos pontos.