Acompanhe aqui o nosso liveblog sobre a guerra na Ucrânia
Os dois soldados chineses que foram capturados pela Ucrânia e que estavam a lutar ao lado das tropas russas afirmaram, em conferência de imprensa nesta segunda-feira, que foram aliciados a juntarem-se ao exército do Kremlin através das redes sociais — como o Tiktok.
De acordo com o Ukrinform, Wang Guangjun e Zhang Renbo confirmaram que estavam cientes da possível punição se fossem descobertos (na China, segundo a lei, quem for apanhado a participar nas hostilidades é supostamente punido). Agora estão prontos para uma troca e pretendem regressar à China.
Os soldados sublinharam, durante a conferência, que não tinham qualquer ligação com as autoridades estatais chinesas e nunca tinham servido no exército. No entanto, não pensaram duas vezes quando lhes foi prometido um contrato de dois milhões de rublos (cerca de 21 mil euros) com o exército russo depois de verem um anúncio nas redes sociais. “A guerra paga mais (…) mas, assim que chegamos lá, não há volta a dar. É uma armadilha”, afirmou Zhang.
“Em algumas plataformas, como o Kuaishou ou o TikTok, há certos bloggers que promovem materiais promocionais semelhantes”, disse Wang, acrescentando que “na China é prestigiante ser soldado, mas nem toda a gente pode ser soldado. Por isso, as pessoas tentam participar nas hostilidades noutros locais”.
Zelensky auncia que foram capturados dois cidadãos chineses a combater nas fileiras russas
Wang Guangjun contou que perdeu o emprego durante a pandemia e estava à procura “de uma nova opção”. Disse que ainda negociou com um recrutador russo para participar na reabilitação de soldados feridos, mas, posteriormente, “entrou no exército e não teve escolha”. O soldado foi para Moscovo em fevereiro, realizou cinco dias de treino e foi depois reencaminhado para Rostov. Chegou à frente de combate no início de abril.
Já Zhang Renbo chegou à capital russa em dezembro, foi enviado para Rostov e, daí, para a linha da frente em Donetsk, onde passou um mês “de trincheira em trincheira” até à captura, no dia 5 de abril.
Os dois prisioneiros alegaram que foram capturados imediatamente após chegarem à linha da frente e não mataram nenhum soldado ucraniano.