Fora de campo, a desilusão foi grande. Dentro de campo, a estupefação foi ainda maior. No culminar de uma semana marcada pelo aniversário de Otávio e por tudo o que isso causou, o FC Porto deslocou-se ao Estádio José Gomes a depender só de si para terminar o Campeonato Nacional no terceiro lugar, mas a noite deste sábado terminou com uma nuvem negra a pairar perante o plantel portista. Com golos de Kikas e Alan Ruiz, de grande penalidade, o Estrela da Amadora voltou a vencer o FC Porto na Reboleira 19 anos depois e deixou os dragões um ponto mais longe do terceiro lugar , mesmo depois de o Sp. Braga ter escorregado em Vila Nova de Famalicão, e fora da luta pelo título a três jornadas — quatro para Sporting e Benfica — do fim (2-0).

Depois da noitada, Kikas reabriu o bar e a ressaca deixou o dragão a ver Estrelas (a crónica do Estrela da Amadora-FC Porto)

A noite da sétima derrota azul e branca na Primeira Liga ficou marcada pela contestação dos adeptos portistas, que começou durante a partida e ainda com o resultado em 1-0. Assim que o árbitro David Silva se preparou para assinalar a grande penalidade cometida por Cláudio Ramos, os adeptos presentes no setor visitante, e em grande parte pertencentes à claque Super Dragões, acenderam artefactos pirotécnicos e atiraram-nos para o relvado, provocando o retardar do desafio. Já depois de Ruiz ter convertido o castigo máximo, a contestação subiu de tom e, nos últimos minutos da partida, foram entoados diversos cânticos, como “joguem à bola”, “vocês são uma vergonha” e… “Pinto da Costa, allez”.

No final do jogo, Martín Anselmi e Jorge Costa foram os principais alvos da ira dos adeptos, mesmo depois de o diretor desportivo ter pedido ao plantel para se deslocar até junto daqueles que viajaram desde a cidade do Porto. Ainda assim, a comitiva azul e branca manteve a distância e Martim Fernandes até se dirigiu de imediato para fora do relvado, não se deslocando para junto da equipa. Como sinal de protesto, muitos adeptos esboçaram lenços brancos. Segundo a Sport TV, o ambiente continuou tenso no exterior do estádio e chegou a haver confrontos entre os adeptos e as autoridades, com um polícia a ficar ferido depois de ter sido atingido por vidros. O perímetro de segurança teve de ser alargado para permitir a saída do autocarro do FC Porto.

Esses incidentes e o início da concentração dos adeptos junto ao Estádio do Dragão e ao Centro de Treinos e Formação Desportiva do Olival levou a PSP a atrasar a saída do autocarro portista rumo à cidade Invicta por não estarem reunidos todos os elementos essenciais à segurança do plantel do FC Porto. O início da viagem só aconteceu praticamente em cima da meia-noite, cerca de hora e meia depois do final da partida. Nessa altura, os jogadores ainda ouviram mais críticas dos poucos adeptos que ainda se encontravam junto ao José Gomes. André Villas-Boas terá partido ligeiramente mais cedo, num carro com vidro esfumados e presumivelmente acompanhado por outros elementos da estrutura portista.

“Creio que eles foram muito superiores na primeira parte. Tivemos uma primeira parte péssima. Não ganhámos os duelos. Mudámos alguma coisa na segunda parte, mas não foi suficiente. Neste tipo de cenários, em que é difícil de jogar, eles souberam combater mais e melhor que nós e isso não pode acontecer. Não posso falar da época toda, posso falar apenas desde que estou no clube. Sempre fomos fortes nos duelos, capazes de ir no homem a homem, mas hoje, por qualquer motivo, foram melhores que nós nesse aspeto. Festa de Otávio? A semana já está, já falei. Se tivesse ganhado, o que era? Isso são desculpas. Adeptos? Apoiaram-nos durante todo o jogo, têm direito a isso [críticas]”, partilhou Anselmi no final da partida que marcou a primeira vitória caseira do Estrela da Amadora em 2025.

“Terceiro lugar? É ganhar os três jogos que faltam e terminar esta época difícil a ganhar. É o que podemos fazer, para além de preparar já o que aí vem. Isso é muito importante. Há que analisar estes três jogos que faltam. Frustação dos adeptos? Sim, entendo-os porque no final eles estão sempre lá. Apoiaram-nos durante o jogo e evidentemente que no final manifestam a sua desilusão e frustração. Estão no seu direito”, acrescentou, depois.