A OpenAI, a empresa responsável pelo ChatGPT, decidiu reverter a atualização feita na semana passada, que deu mais “personalidade” ao modelo de inteligência artificial (IA) GPT-4o. Tudo porque o modelo assumiu um discurso demasiado “bajulador”.

A 25 de abril, Sam Altman, CEO da empresa, anunciou na rede social X que o GPT-4o tinha sido atualizado, “com uma melhoria tanto de inteligência como de personalidade”.

No dia seguinte, em resposta a um utilizador no X, já se queixava de que a atualização tinha tornado o modelo demasiado “simpático”. “Sim, embeleza demasiado. Vamos corrigir”, declarou Altman a 26 de abril. 

Já no início desta semana, o CEO da empresa de IA revelou que a empresa não só ia fazer alguns ajustes, mas ia mesmo reverter a atualização. “As últimas atualizações ao GPT-4o deram-lhe uma personalidade muito bajuladora e irritante (mesmo que haja algumas partes muito boas) e estamos a trabalhar em ajustes o mais depressa possível”, disse Altman a 27 de abril. Alguns dos ajustes tiveram efeito “no próprio dia” e outros ao longo da semana.

A mudança começou a ser feita de uma forma mais ampla entre segunda e terça-feira. Começaram pela mudança na versão gratuita e depois no ajuste da versão paga do ChatGPT. Altman prometeu ainda “ajustes adicionais” à personalidade do modelo durante a semana, prometendo “novidades” nos próximos dias.

Não é a primeira vez que há ajustes deste género aos modelos. Ou, noutros casos e chatbot, é possível escolher o tom de respostas: por exemplo, no Copilot, da Microsoft, era possível optar entre tons neutros, profissionais ou mais criativos para ajudar a compor textos.

Microsoft. Assistente digital com IA vai entrar no mundo do trabalho

A simpatia custa dinheiro — pelo menos no ChatGPT

Esta não é a primeira vez em que as questões de “simpatia” são abordadas no ChatGPT. Há algumas semanas, Sam Altman admitiu no X que os “obrigada/o” e os “por favor” que são incluídos nos pedidos ao ChatGPT custam “dezenas de milhões de dólares à empresa”.

A revelação foi feita em resposta à pergunta de um utilizador, que questionou “quanto dinheiro é que a OpenAI perde em custos de eletricidade ligados às pessoas que dizem ‘por favor’ e ‘obrigada’ aos modelos”. “Dezenas de milhões de dólares bem gastos — nunca se sabe”, respondeu.

Todos os pedidos que são feitos ao ChatGPT representam custos, nomeadamente de energia e dos gastos necessários para ter uma infraestrutura tecnológica capaz de aguentar a procura. Ou seja, cada palavra de um prompt aumenta os custos. É por isso que, na versão gratuita do ChatGPT, são impostos alguns limites aos pedidos que é possível fazer.

Processo de Musk contra a OpenAI cada vez mais perto de julgamento

Ao mesmo tempo em que a OpenAI faz ajustes e atualizações aos modelos, o processo apresentado por Elon Musk no ano passado contra a OpenAI continua a ter desenvolvimentos. Musk foi um dos aliados de Sam Altman nos primeiros anos da OpenAI até entrarem em rota de colisão por alegadas divergências em relação à missão da empresa. No processo, o líder da Tesla e da SpaceX alega que a OpenAI deixou cair a missão de desenvolver IA para o bem da humanidade e que está a tornar-se numa entidade orientada pelo lucro.

Uma missão “deitada fora”, o medo da IA da Google e a ambição de “controlo absoluto” da OpenAI. Musk e Altman de costas voltadas

Segundo o Financial Times, o tribunal da Califórnia rejeitou o pedido da dona do ChatGPT para deixar cair o caso, num desenvolvimento significativo que deixa o processo mais perto de um julgamento. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers não deu razão a Musk em algumas das queixas do processo, mas considerou que há material suficiente para a discussão em tribunal, que atualmente está marcada para março de 2026.

A juíza considera que “Musk alega de forma adequada” que a OpenAI manteve “o estatuto e a estrutura de organização sem fins lucrativos para obter” os contributos financeiros do empresário. Esse comportamento foi adotado “para obterem o capital necessário para criar um braço orientado para lucro para conseguirem enriquecer”, cita o FT a partir do parecer da juíza.

No último ano a tensão entre a OpenAI e Elon Musk cresceu. Além do processo, em fevereiro Musk fez uma oferta de 97,4 mil milhões de dólares para comprar a OpenAI. A oferta foi rejeitada “de forma unânime” pelo conselho de administração da dona do ChatGPT. Na altura, foi justificado que a oferta não representava “os melhores interesses para a missão da OpenAI”.

Musk quer mesmo comprar OpenAI ou está só a escalar a guerra contra o rival?