Acompanhe o liveblog sobre o conflito israelo-palestiniano
O Presidente francês, Emmanuel Macron, considerou, esta terça-feira, “inaceitável” e “uma vergonha” o bloqueio de ajuda humanitária em Gaza pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmando que está “em aberto” a revisão de acordos com a União Europeia.
“O que o governo de Benjamin Netanyahu está a fazer hoje [em Gaza] é inaceitável”, em termos da situação humanitária “é uma vergonha”, afirmou Macron durante uma entrevista à televisão TF1 , acrescentando que “não cabe a um Presidente dizer que é um genocídio, mas sim aos historiadores”.
No programa especial sobre “Os desafios de França”, o Presidente francês mostrou-se pronto a responder todas as questões dos franceses num formato inédito perante um “mundo incerto”. Durante duas horas e meia a responder a questões, Macron anunciou ainda que os europeus vão impor novas sanções maciças “nos próximos dias” se a Rússia “confirmar que não está a respeitar” o cessar-fogo de 30 dias na Ucrânia.
Macron defendeu que o trabalho do primeiro-ministro israelita “era fazer tudo o que fosse possível para a impedir” uma tragédia humanitária. “Não há água, não há medicamentos, não se consegue retirar os feridos”, acrescentou.
O chefe de Estado francês recordou que foi “um dos únicos dirigentes a ir à fronteira” entre o Egito e Gaza, e que esta foi “uma das piores coisas que alguma vez viu”, lamentando que “toda a ajuda que França e outros países enviam” esteja “a ser bloqueada pelos israelitas”.
Questionado sobre possíveis sanções contra Israel, Macron afirmou que a questão da revisão dos “acordos de cooperação” entre a União Europeia e Telavive está “em aberto”, incluindo a ausência de direitos aduaneiros sobre determinados produtos. “Não podemos fingir que nada está a acontecer”, disse Macron, referindo-se à ofensiva militar israelita em Gaza.
O Presidente francês lembrou que foi o governo holandês o primeiro a levantar a questão de saber se Israel está a violar o acordo de associação com a União Europeia, na secção relativa ao respeito pelo direito internacional humanitário. Os ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco comunitário vão debater esta questão no próximo dia 20 de maio.
A ofensiva israelita foi desencadeada por um ataque do Hamas ao sul de Israel a 7 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e 250 reféns, segundo as autoridades israelitas. A retaliação de Israel contra a Faixa de Gaza provocou mais de 52.900 mortos, de acordo com o Ministério da Saúde do Hamas, que governa o enclave desde 2007.