A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) confirmou ao Observador que abriu um processo para averiguar os factos que motivaram um agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) a disparar várias vezes contra um autocarro em Loures, na noite de domingo. Na origem do desacato, segundo o Correio da Manhã, esteve uma discussão de trânsito que acabou por ferir um passageiro de 16 anos.

Em resposta ao Observador, a IGAI, responsável por fiscalizar os serviços do Ministério da Administração Interna (MAI), confirmou que o processo foi aberto na terça-feira, um dia depois de a PSP ter confirmado que o autor dos disparos foi um polícia: “A IGAI informa que no dia de ontem [segunda-feira] foi aberto um processo nesta Inspeção-Geral, relativo aos factos em questão”.

A entidade — que aguarda “o envio de expediente solicitado à PSP” — acrescenta que este processo tem “por ora, natureza administrativa”, uma vez que ainda se desconhece “a identificação dos intervenientes”.

Através de um comunicado, a PSP informou que teve conhecimento dos disparos através do motorista (da carreira 2796 da Carris Metropolitana) que conduziu até à porta da esquadra de Loures, onde relatou o sucedido.

Tudo terá acontecido, de acordo com o Correio da Manhã, numa rua perto do Tribunal de Loures na sequência de uma discussão de trânsito. O agente atravessou-se com o carro à frente do autocarro e, após abandonar o volante, disparou cinco vezes, tendo partido as janelas do transporte coletivo de passageiros.

Os estilhaços de um vidro partido atingiram um passageiro de 16 anos que foi levado para o Hospital de Santa Maria em Lisboa. A polícia conseguiu perceber que o homem em causa seria um agente a prestar serviço no Comando Metropolitano de Lisboa.

Além da normal preservação de vestígios e do local do incidente, a PSP comunicou os atos ao Ministério Público e à Polícia Judiciária. Segundo informação confirmada pelo Observador, o agente que disparou já foi constituído arguido.

Disciplinarmente, a PSP “procedeu à apreensão cautelar da arma de fogo deste polícia, bem como foi imediatamente determinada pelo Comandante do COMETLIS a abertura de procedimento disciplinar e proposta de medida cautelar de suspensão preventiva de funções, com a qual o Diretor Nacional da PSP concordou, determinando a sua aplicação imediata”.