Mário Centeno diz que “nunca”, na sua vida, trabalhou para “passar com 10” e, da mesma forma, está a trabalhar com o “fito” de ser reconduzido para um novo mandato no Banco de Portugal. O governador afirma, também, que o cargo de consultor da administração é um enquadramento “temporário” e todos estão a cumprir tarefas que “servem o Banco de Portugal”. Considerando que o tema em torno de Hélder Rosalino “não chega sequer a ser um caso”, porque “o Banco de Portugal não pode pagar salários da administração pública”, Centeno diz em entrevista à RTP que “se houve precedentes eles estão fora da lei“.

“O meu foco é completar o meu mandato, agora há um segundo mandato” e “eu nunca desempenhei as minhas funções para passar com 10”, afirmou Mário Centeno, deixando claro que deseja ser reconduzido no Banco de Portugal, cumprindo dois mandatos tal como os seus antecessores. Mas tem Centeno a expectativa de ser reconduzido? “A minha expectativa é irrelevante“, responde: “Eu estou a desempenhar as minhas funções com esse objetivo porque é sempre assim que desempenho as minhas funções”.

Esta foi a entrevista à RTP, feita na manhã desta quarta-feira mas apenas difundida ao final da noite, em que Mário Centeno revelou que não será candidato presidencial – algo que não está no seu “horizonte” e que foi uma “decisão pessoal”.

Centeno revela que não será candidato presidencial. “Foi uma decisão minha, pessoal”, diz governador do Banco de Portugal

Centeno recusou alongar-se sobre o caso de Rosalino porque foi chamado ao parlamento para explicar esse caso. “Eu falarei sobre todos esses temas na Assembleia da República na semana que vem – é aí que vou responder às dúvidas que existirem sobre isso”.

Banco de Portugal. A casa onde os administradores ganham 200 mil por ano e garantem quase o mesmo, depois, como consultores

Ainda assim, assinalou que “todos os salários do Banco de Portugal têm um acordo coletivo por trás e essa é uma situação totalmente normal”. Por outro lado, os salários da administração são determinados pela comissão de vencimentos presidida pelo Ministério das Finanças e no que diz respeito aos consultores da administração Centeno diz que essa “não é uma carreira, é só para apenas aqueles que estão na carreira de direção que, em alguns casos se tornam administradores e depois regressam”.

É “uma situação temporária, as pessoas são enquadradas em tarefas que servem o banco”. “O Banco de Portugal é uma das mais importantes instituições em Portugal, não há nada que se passe no Banco de Portugal que não seja transparente”, afirma Centeno, apesar de o supervisor ter recusado divulgar quantos consultores da administração existem neste momento.

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Centeno assevera, ainda, que não tem “qualquer dúvida” sobre a “posição de total independência” com que tem exercido o cargo. A “independência como governador é muito fácil de avaliar, tenho uma relação muito próxima com todas as instituições da República. Comunico de forma regular com a presidência da República quer o primeiro-ministro sobre a análise” que é feita pelo Banco de Portugal.

“A independência não é um estado de espírito, é a capacidade técnica de analisar e decidir de forma rigorosa”, afirma Mário Centeno, alegando que o Banco de Portugal não é “uma ilha”: “Não estamos isolados, temos de comunicar, temos de estar próximos”, remata.

Centeno revela que não será candidato presidencial. “Foi uma decisão minha, pessoal”, diz governador do Banco de Portugal