Donald Trump voltou a protagonizar um momento de tensão com um líder mundial, à semelhança do que aconteceu com Volodomyr Zelensky, em fevereiro. Desta vez, sentado na cadeira de convidado da Sala Oval estava Cyril Ramaphosa, Presidente da África do Sul, a quem o Presidente dos EUA mostrou um vídeo de um alegado cemitério de agricultores brancos.

A reunião até tinha começado de forma cordial mas tudo mudou quando o líder norte-americano decidiu tomar uma posição e apoiar teorias de alguns norte-americanos de que os agricultores brancos sul-africanos são vítimas de “genocídio”. “Desliguem as luzes”, disse Trump antes de exibir o vídeo para o Presidente sul-africano, a sua comitiva, e todos os jornalistas presentes na sala da Casa Branca. Nas imagens, que incluem vários frames de declarações em eventos políticos, há denúncias de um genocídio a ocorrer no país contra pessoas brancas.

“É uma visão terrível, nunca vi nada parecido”, garantiu Trump em relação ao vídeo. Ramaphosa questionou a origem da informação e insistiu em explicar a realidade do país que lidera: “Disseram-lhe onde fica isso, Sr. Presidente?”. Trump respondeu que não, mas garantiu que, sem dúvida, “é na África do Sul”.

De acordo com o The New York Times, a postura de Trump tornou-se curvada e reservada e mal olhou para o líder sul-africano enquanto falava. Além disso, segundo a mesma fonte, Trump parecia determinado a ter algum tipo de confronto, interrompendo Ramaphosa enquanto este tentava apresentar a sua versão. “Está a tirar as terras das pessoas”, disse Trump, insistindo que centenas de brancos estão a ser executados na África do Sul.

De seguida, mostrou também aquilo que disse ser uma “vista aéreo de um cemitério” de mais de “mil agricultores”. Os carros que são vistos no vídeo, alega, pertencem aos familiares das vítimas que se deslocaram ao local para prestar a sua última homenagem.

Como descreve o The New York Times, a cobrir o momento na Sala Oval, o líder sul-africano pareceu desconfortável e sem saber como reagir enquanto a montagem de vários vídeos era exibida no ecrã da Casa Branca. O vídeo parece ter origem no X, sendo que quando a gravação acaba a página da rede social surge no ecrã.

A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

Antes da reunião, Ramaphosa afirmou aos jornalistas que partia para esta reunião com Trump com dois objetivos: garantir um “acordo comercial realmente bom” e clarificar a posição do país sobre questões fundamentais que incomodam os EUA.

As relações entre a África do Sul e os EUA atingiram um mínimo histórico recentemente, quando Trump cortou a ajuda ao país devido a alegações infundadas de um genocídio branco. Já tinha sido antecipado por analistas políticos que a decisão do líder sul-africano de visitar a Casa Branca era de alto risco, já que poderia ser confrontado em direto com as acusações que o Presidente dos EUA tem vindo a repetir de forma insistente.

Pouco depois de todo este episódio, descreve a BBC, houve ainda um confronto entre Trump e a imprensa, que perguntou ao Presidente norte-americano sobre o avião que lhe foi oferecido pelo Qatar. Trump criticou o jornalista por fazer essa pergunta.