O Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, admitiu esta sexta-feira reabrir o inquérito que visa o autarca de Vizela, Victor Hugo Salgado, devido a um caso de violência doméstica contra a mulher. O caso tinha sido arquivado porque a alegada vítima não quis prestar declarações e desistiu da queixa e o Ministério Público não interrogou nem constituiu arguido o suspeito.

De acordo com Amadeu Guerra, o processo ainda está dentro do prazo “para a intervenção hierárquica” e ainda pode ser reaberto. As declarações foram prestadas à margem da conferência de aniversário da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

“Os superiores hierárquicos estão a analisar o despacho de arquivamento, e dentro do prazo da intervenção hierárquica, que são 20 dias sobre o despacho e a respetiva notificação, têm possibilidade de tomar uma posição relativamente a isto, nomeadamente de mandar fazer outras diligências que entendam que devem ser feitas”, disse o PGR.

MP arquiva inquérito a autarca de Vizela por violência doméstica e justifica: vítima não quis prestar declarações

O Observador revelou esta sexta-feira que, apesar do auto da PSP em que a alegada vítima descreve as agressões desferidas por Victor Hugo Salgado e dos registos clínicos que detalham lesões como uma fratura no nariz e uma escoriação no lábio, o autarca de Vizela — cujo apoio à recandidatura foi retirado pelo Partido Socialista após o Observador ter revelado o inquérito em curso — não foi interrogado nem constituído arguido pelo Ministério Público.

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