O governo britânico está a avaliar a possibilidade de tornar a castração química obrigatória para pessoas condenadas por crimes sexuais. A medida está a ser considerada no âmbito de uma reforma mais ampla do sistema judicial, que tem como objetivo reduzir o risco de reincidência mas também aliviar a pressão das prisões do país, que estão sobrelotadas.
Durante uma intervenção no Parlamento, a ministra da Justiça do Reino Unido, Shabana Mahmood, apresentou as recomendações que são feitas num relatório encomendado ao ex-ministro David Gauke sobre as medidas que devem ser tomadas para tornar a gestão do sistema prisional mais eficiente. Uma das recomendações é dar continuidade a um projeto-piloto denominado “medicação para gerir a excitação sexual problemática”.
Desta forma, esse projeto de castração química voluntária para criminosos sexuais, que até ao momento era apenas aplicado no sudoeste da Inglaterra, será alargado a 20 prisões em duas regiões do Reino Unido. Segundo a BBC, não foram confirmados os nomes das prisões ou das regiões que passarão a contar com a medida.
Foi após adiantar que o projeto-piloto será alargado que Shabana Mahmood revelou estar a analisar a implementação nacional da castração química voluntária e também se ela se poderia tornar obrigatória. Mas não foi dado qualquer prazo para que essa decisão seja tomada. “Estou a estudar a possibilidade de tornar esta abordagem obrigatória”, afirmou, segundo a agência Reuters. Entre opções recomendadas no relatório estão medicamentos que suprimem o desejo sexual e outros que reduzem os pensamentos de cariz sexual.
“É claro que é crucial que esta abordagem seja feita em simultâneo com intervenções psicológicas que visem outras causas do crime, do poder e do controlo”, notou, indicando que para alguns dos condenados “o crime está relacionado com o poder”, mas que para outros o governo acredita que “a combinação de supressores químicos e intervenções psicológicas” pode “ter um impacto grande e positivo”.