Descrevem-na como a corrida mais perigosa do mundo e não parece ser para menos. Em Brockworth, uma aldeia no Reino Unido, dezenas de pessoas arriscam-se a provocar lesões no corpo ao descerem uma inclinada colina de relva atrás de uma roda de queijo Double Gloucester com três quilos. O objetivo: apanhá-lo e ganhar a corrida. O vencedor fica com o queijo.

A Corrida do Queijo decorre esta segunda-feira em Cooper’s Hill e reúne participantes vindos de todas as partes do mundo, desde a Austrália, EUA e até Egito. Chris Anderson, um dos grandes vencedores de provas anteriores, revelou à CNN que um dos truques para alcançar a meta com o queijo nos braços é “não se importar com a própria segurança”. Da primeira vez que ganhou, em 2005, partiu o tornozelo e, da terceira, em 2007, cruzou a linha inconsciente. “Foi um pouco confuso”, diz, recordando que bateu com a cabeça na descida.

É, aliás, muito comum que os participantes partam ossos e fiquem com outras lesões. Cooper’s Hill é uma colina tão íngreme que até há quem desista ao último minuto mesmo antes de começar a correr. “Os primeiros 10 metros são quase verticais”, explicou Anderson, acrescentando que é “preciso quase mergulhar e tentar manter-se de pé”.

“Assim que se começa, não há como parar, só tens de deixar o impulso tomar conta de ti. Tenta manter-te de pé o máximo de tempo possível e, se caíres, levanta-te o mais rápido possível.” Idealmente, Chris Anderson prefere que o solo seja macio, mas não molhado. Quanto mais seco estiver, melhor será a tração e quanto mais difícil for o terreno, maior será o potencial de lesões.

De acordo com a CNN não há registo sobre há quanto tempo acontece a Corrida do Queijo, com a primeira vez a ser mencionada a remontar a 1826.

Anderson, por exemplo, assiste desde os 10 anos à prova: “Era muito divertido ver as pessoas a voar e a cair”. “Uma das coisas mais marcantes foi o facto de alguém ter partido a perna, os pitões ficaram presos no chão e o impulso empurrou-o para a frente. Ele estava sentado no meio da colina com a perna pendurada, foi bastante nojento”, descreve.

As lesões graves são assim praticamente garantidas, com o várias vezes vencedor a afirmar ter já testemunhado três tornozelos partidos, dois de corredores internacionais que perderam os seus voos de regresso a casa devido a uma cirurgia de emergência. Estas lesões nos tornozelos são comuns, tal como as concussões: em 2023, Delaney Irving ficou inconsciente pouco antes da meta e só soube que ganhou a corrida quando foi informada no posto médico.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 1.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]