O presidente do Conselho Europeu, António Costa, inicia nesta terça-feira, em Brasília, uma visita oficial ao Brasil, que decorre até quinta-feira, para aprofundar a cooperação entre o país e a União Europeia (UE), nomeadamente ao nível político e comercial.

De acordo com a agenda oficial, o antigo primeiro-ministro português chega ao final da tarde à capital brasileira para, cerca das 19h00 (hora local, 23h00 em Lisboa) se reunir com o Presidente do Brasil, Lula da Silva, com quem vai discutir o contexto geopolítico mundial e o Acordo UE-Mercosul (Mercado Comum do Sul), cujas negociações foram concluídas em dezembro passado. Mas a agenda poderá sofrer alterações, dado que Lula foi diagnosticado com labirintite esta segunda-feira e aconselhado a descansar pelos médicos.

Numa altura de tensões comerciais mundiais principalmente causadas pelos anúncios norte-americanos de tarifas a vários blocos — como à UE e ao Brasil –, o encontro com Lula da Silva, a acontecer, será centrado no reforço da cooperação política, económica e setorial.

Na quinta-feira de manhã, último dia da visita, António Costa irá discursar no primeiro Fórum de Investimento UE-Brasil sobre como “Construir um Futuro Forte e Sustentável” e lançará o Diálogo de Investimento entre o país e a União Europeia.

O Brasil é parceiro estratégico da UE desde 2007.

A UE é o segundo maior parceiro comercial do Brasil e o seu maior investidor estrangeiro, com mais de 300 mil milhões de euros de investimento direto.

Após relações diplomáticas tensas durante a Presidência de Jair Bolsonaro, quando Lula da Silva voltou ao cargo, em 2023, os laços UE-Brasil ganharam novo dinamismo, sendo que a conclusão das negociações do acordo UE-Mercosul, em dezembro de 2024, veio dar um novo impulso.

Este acordo é especialmente atrativo para o bloco comunitário neste momento, face às tensões comerciais com os Estados Unidos.

A UE e os países do Mercosul chegaram, no final do ano passado, a acordo político para aquele que será o maior acordo comercial e de investimento do mundo, que servirá um mercado de 700 milhões de consumidores, no âmbito do reforço da cooperação geopolítica, económica, de sustentabilidade e de segurança.

Após o acordo político, cabe agora à Comissão Europeia, que detém a competência da política comercial da UE, apresentar uma proposta ao Conselho e ao Parlamento para assinatura e conclusão, o que se espera que aconteça este verão.

O texto desse acordo foi finalizado em 2019, após 20 anos de negociações, mas nessa altura não teve seguimento.

O acordo UE-Mercosul abrange os 27 Estados-membros da UE mais Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o equivalente a 25% da economia global e 780 milhões de pessoas, quase 10% da população mundial.