Na mira esteve sempre Donald Trump, apesar de nunca ter sido mencionado o seu nome. Num discurso na abertura do Parlamento canadiano, escrito pelo governo mas com algumas notas pessoais, o Rei Carlos III declarou, esta terça-feira, que o Canadá deve manter-se “livre e forte” neste “momento crítico”, num recado enviado ao Presidente norte-americano, que já ameaçou anexar o país e convertê-lo no 51.º estado. O monarca referiu que existe um uma sensação “renovada de orgulho nacional, unidade e esperança”.

“O Canadá enfrenta um momento crítico ao proteger as liberdades”, assinalou o Rei Carlos III no discurso, acrescentando que os canadianos prezam valores como a “democracia, o pluralismo, o Estado de direito, a autodeterminação e a liberdade“. “O governo está disposto a protegê-los.”

O monarca sublinhou no discurso que as “relações do Canadá com os seus parceiros estão a mudar”, numa alusão ao deteriorar de relações com os Estados Unidos. Isso origina “desafios sem precedentes” e gera “ansiedade” nos canadianos. “Mas este momento é também uma oportunidade incrível. Uma oportunidade para a renovação. Uma oportunidade para pensar e agir em grande.”

Neste sentido, o Rei Carlos III considerou, ao ler o discurso, que pode ser uma “oportunidade” para o Canadá “embarcar na maior transformação da sua economia desde a Segunda Guerra Mundial”, destacando que as redes de comércio global estão a alterar-se, numa referência às tarifas anunciadas por Donald Trump.

“Os canadianos podem dar a si mesmos muito mais do que qualquer potência estrangeira pode retirar”, continuou o monarca, assinalando que o Canadá — ao manter-se fiel aos seus valores — pode “construir novas alianças e uma nova economia que sirva todos os canadianos”.

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Em concreto, sobre a relação entre os Estados Unidos e o Canadá, o Rei Carlos III destacou no discurso que é “baseada no respeito mútuo e em interesses comuns, de maneira a obter benefícios transformados para ambas as nações soberanas”.

Mas isso não significa, prosseguiu o monarca, que o Canadá não procure fortalecer as suas relações com outros parceiros “confiáveis” em todo o mundo. “O Canadá tem o que mundo precisa e os valores que o mundo respeita”, vincou Carlos III.

Deste modo, garantiu que o Canadá está disponível para “liderar uma coligações de países que partilhem os mesmos valores, que acreditam na cooperação internacional e na livre circulação de bens, serviços e ideias”. “Neste novo mundo que evolui rápido, o Canadá está pronto para liderar. Vamos iniciar uma nova era de crescimento que vai garantir que nós não apenas sobrevivemos as guerras comerciais, como também emergimos mais fortes das mesmas.”

Reuniu-se com Mark Carney, plantou uma árvore e iniciou partida de hóquei. A visita de Carlos III ao Canadá

Sobre política interna do Canadá, o Rei Carlos III abordou no discurso a crise na habitação, a segurança na fronteira com os Estados Unidos e as Forças Armadas, prometendo que o novo governo vai agir para resolver os problemas naquelas questões.

No discurso do Rei Carlos III, os canadianos estão “unidos naquilo que torna o Canadá forte” numa altura de “grandes mudanças”. E o governo está “determinar em proteger” as instituições democrática e os valores canadianos “mais do que nunca”.

No final do discurso, o monarca frisou que o Canadá dá o exemplo ao mundo sendo uma “força para o bem”. Agradecendo como foi recebido pela população canadiana na visita dos últimos dias, o Rei Carlos III terminou com uma passagem do hino, noutra farpa para Donald Trump: “Como hino nos lembra: o Verdadeiro Norte é de facto forte e livre”.

Artigo alterado às 18h03 com referências ao papel do governo no discurso lido por Carlos III