É mais um projeto para uma central solar de grande dimensão no litoral alentejano. Com 600 megawatts (MW) de potência, a área em estudo para instalar o complexo solar fotovoltaico do Sado situa-se entre os concelhos de Alcácer do Sal e Grândola, no distrito de Setúbal.

Em estudo estão 21 mil hectares — sendo que o projeto deverá ocupar 1,272 hectares (entre os quais 356 hectares serão preenchidos com a instalação dos painéis). Mas num raio de 20 quilómetros foram já sinalizadas várias áreas sensíveis em termos ambientais, como a zona especial de conservação Comporta/Galé e a reserva natural do estuário do Sado. E uma das freguesias que pode ser afetada é a Comporta, conhecida pela oferta turística de alta qualidade.

Segundo o documento partilhado no portal de consulta pública da APA (Agência Portuguesa do Ambiente), o território em causa situa-se entre as freguesias da Comporta, Santa Maria do Castelo e Santiago, Santa Susana — todas no concelho de Alcácer do Sal — e a união de freguesias de Grândola e Santa Margarida da Serra.

Localização a estudar para instalação da central fotovoltaica do Sado

Esta localização foi escolhida em função do ponto de entrega contratualizado com a REN (Redes Energéticas Nacionais), o que a atira para uma faixa territorial perto da costa e para concelhos onde há uma crescente competição com turismo e agricultura.

Neste eixo que está mais próximo da rede de transporte de eletricidade, já há outros outros mega-projetos solares em marcha, designadamente em Santiago do Cacém.  Neste concelho, a central do Cercal que tem um tem um terço da potência desta, foi alvo de forte contestação por parte de alguma população local, tendo feito algumas alterações ao projeto inicial para assegurar a aprovação ambiental. O projeto mais impactante pela sua dimensão é também para Santiago de Cacém e prevê instalar mais de mil megawatts de potência numa zona que atualmente é utilizada para a exploração intensiva de eucaliptos que terão de ser cortados.

Mais a sul, e para o concelho de Sines, estão também projetadas várias centrais fotovoltaicas associadas a investimento de descarbonização industrial e produção de hidrogénio verde e amónia. Estes projetos localizam-se na zona industrial de Sines, mas a sua execução obriga também ao abate de milhares de árvores.

Grandes projetos de hidrogénio com parque solar em Sines implicam abate de quase 13.500 árvores, incluindo mil sobreiros

No caso da central do Sado, ainda não está selecionado o local em concreto e os estudos sobre habitats e flora encontram-se numa fase inicial, a área é dominada por áreas florestais, com destaque para o pinheiro manso, e com áreas agrícolas com regadio, matos e linhas de água. Foram também identificadas áreas de montado de sobro e azinho — o sobreiro e a azinheira são espécies protegidas.

O projeto que entrou recentemente no circuito da avaliação ambiental, está na fase de proposta de definição de âmbito do estudo de impacte ambiental que se encontra em consulta pública, será constituído por uma central de 600 MW, um sistema de armazenamento de 300 MW, uma subestação elevadora e uma linha de muito alta tensão para ligar à rede elétrica.

A central será composta por 1.121.364 painéis de silício monocristalino bifacial, com 27 painéis por série e 182 centros de transformação. Terá uma rede cabos subterrâneos para interligar os centros de transformação e a subestação. A linha elétrica de muito alta tensão terá uma extensão de 12 quilómetros.

O sistema de armazenamento por baterias será instalado em 180 contentores de 20 pés (seis metros) e estará ligado à subestação. Cada unidade de 5 MW será composta por dois contentores contíguos.

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O promotor é a Tecneira, empresa do grupo ProCME da área da engenharia e construção, que em 2020 ficou classificada em segundo e terceiro lugar no processo para a atribuição de reserva de capacidade na rede elétrica lançado pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). O investimento foi então avaliado em 440 milhões de euros e para além da produção e armazenamento previa integrar uma unidade de produção de hidrogénio.

Este empreendimento permitirá produzir até 1571 GW por ano, evitando a emissão 326.768 toneladas de CO2 por ano, “contribuindo para as metas do Plano Nacional de Energia e  Clima”. As baterias que acompanham os painéis fotovoltaicos  prestam serviços de estabilidade e segurança de abastecimento do sistema elétrico, minimizando os efeitos da intermitência (e imprevisibilidade) da injeção solar na rede.