A SpaceX, a empresa aeroespacial detida por Elon Musk, lançou, esta quarta-feira de madrugada, numa nona tentativa, o foguetão Starship, que uma hora depois da descolagem sofreu uma “rápida desmontagem não programada”. O foguetão, com o qual a SpaceX do magnata Elon Musk está a contar para conquistar Marte, ainda atingiu a órbita terrestre, mas partiu-se e caiu no Índico depois de perder combustível neste voo de teste.

Tendo em conta os dois últimos testes — em janeiro e março de 2025 —, que terminaram numa explosão poucos minutos depois da descolagem, o nono teste parecia promissor. Porém, por volta das 20h32 (01h32 de quarta-feira em Lisboa), a empresa perdeu o contacto com a nave espacial que já estava a girar e parecia ter perdido as capacidades de orientação.

O responsável pelas comunicações da SpaceX, Dan Huot, um dos apresentadores do evento, atribuiu a “perda de controlo da altitude”, necessária para a orientação na reentrada na atmosfera terrestre, a “fugas” de combustível.

Além disso, o foguetão não conseguiu abrir uma porta através da qual vários satélites Starlink simulados deviam ser colocados em órbita pela primeira vez — um dos objetivos da missão, além de monitorizar os escudos que protegem a nave das altas temperaturas.

“A Starship chegou à separação programada do motor da nave espacial, o que representa uma grande melhoria em relação ao último voo”, resumiu Musk na rede social X, reconhecendo que a fuga de combustível provocou uma perda de pressão no depósito que levou à falha.

“Como se o voo não fosse suficientemente emocionante, a Starship sofreu uma desmontagem rápida não planeada“, disse a empresa na rede social X, acrescentando que o sucesso é uma experiência de aprendizagem e que o teste vai ajudar a “melhorar a fiabilidade” do foguetão.

Mesmo assim, o magnata, que pretende concentrar-se mais nos seus negócios após a polémica participação no Governo de Donald Trump, mostrou-se otimista e disse que os próximos três voos serão menos espaçados, com “um a cada três ou quatro semanas”.

O foguetão saiu da base aeroespacial em Brownsville, no estado norte-americano do Texas. Estava previsto que fosse lançado às 19h30 (hora local, mais seis horas em Lisboa), mas atrasou ligeiramente.

Com 120 metros de altura, o Starship é a esperança do magnata para permitir missões espaciais a Marte. Esta foi também a primeira vez que o foguetão esteve equipado com o propulsor Super Heavy, que já tinha sido utilizado no sétimo teste. O objetivo era recolher dados para melhorar o desempenho dos foguetões.

“O Super Heavy foi desenhado para ser reutilizado total e rapidamente com os futuros modelos a serem capaz de lançamentos múltiplos por dia”, lê-se na nota publicada no site do SpaceX.

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Este novo o teste tinha também como objetivo procurar perceber como é o que foguetão poderia aterrar no local de lançamento. “Os testes são, por definição, imprevisíveis”, destacava a nota do site da SpaceX, que antes do lançamento dizia esperar “aprender rapidamente e fazer mudanças no design”, de modo a alcançar o objetivo proposto.

No início de março, no oitavo teste da Starlink, o foguetão acabou por cair cerca de cinco minutos depois do lançamento. A empresa perdeu o controlo e as comunicações com o equipamento. Após uma investigação, a SpaceX percebeu que tinha tratado de um “falhanço no hardware”. No lançamento de janeiro, uma explosão destruiu parte do foguetão.