A SpaceX, a empresa aeroespacial detida por Elon Musk, lançou, esta quarta-feira de madrugada, numa nona tentativa, o foguetão Starship, que uma hora depois da descolagem sofreu uma “rápida desmontagem não programada”. O foguetão, com o qual a SpaceX do magnata Elon Musk está a contar para conquistar Marte, ainda atingiu a órbita terrestre, mas partiu-se e caiu no Índico depois de perder combustível neste voo de teste.
Tendo em conta os dois últimos testes — em janeiro e março de 2025 —, que terminaram numa explosão poucos minutos depois da descolagem, o nono teste parecia promissor. Porém, por volta das 20h32 (01h32 de quarta-feira em Lisboa), a empresa perdeu o contacto com a nave espacial que já estava a girar e parecia ter perdido as capacidades de orientação.
O responsável pelas comunicações da SpaceX, Dan Huot, um dos apresentadores do evento, atribuiu a “perda de controlo da altitude”, necessária para a orientação na reentrada na atmosfera terrestre, a “fugas” de combustível.
Além disso, o foguetão não conseguiu abrir uma porta através da qual vários satélites Starlink simulados deviam ser colocados em órbita pela primeira vez — um dos objetivos da missão, além de monitorizar os escudos que protegem a nave das altas temperaturas.
“A Starship chegou à separação programada do motor da nave espacial, o que representa uma grande melhoria em relação ao último voo”, resumiu Musk na rede social X, reconhecendo que a fuga de combustível provocou uma perda de pressão no depósito que levou à falha.
Starship made it to the scheduled ship engine cutoff, so big improvement over last flight! Also, no significant loss of heat shield tiles during ascent.
Leaks caused loss of main tank pressure during the coast and re-entry phase. Lot of good data to review.
Launch cadence for…
— Elon Musk (@elonmusk) May 28, 2025
“Como se o voo não fosse suficientemente emocionante, a Starship sofreu uma desmontagem rápida não planeada“, disse a empresa na rede social X, acrescentando que o sucesso é uma experiência de aprendizagem e que o teste vai ajudar a “melhorar a fiabilidade” do foguetão.
Mesmo assim, o magnata, que pretende concentrar-se mais nos seus negócios após a polémica participação no Governo de Donald Trump, mostrou-se otimista e disse que os próximos três voos serão menos espaçados, com “um a cada três ou quatro semanas”.
O foguetão saiu da base aeroespacial em Brownsville, no estado norte-americano do Texas. Estava previsto que fosse lançado às 19h30 (hora local, mais seis horas em Lisboa), mas atrasou ligeiramente.
Starship stacked for flight pic.twitter.com/OMVXSCsSjb
— SpaceX (@SpaceX) May 26, 2025
Com 120 metros de altura, o Starship é a esperança do magnata para permitir missões espaciais a Marte. Esta foi também a primeira vez que o foguetão esteve equipado com o propulsor Super Heavy, que já tinha sido utilizado no sétimo teste. O objetivo era recolher dados para melhorar o desempenho dos foguetões.
“O Super Heavy foi desenhado para ser reutilizado total e rapidamente com os futuros modelos a serem capaz de lançamentos múltiplos por dia”, lê-se na nota publicada no site do SpaceX.
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Este novo o teste tinha também como objetivo procurar perceber como é o que foguetão poderia aterrar no local de lançamento. “Os testes são, por definição, imprevisíveis”, destacava a nota do site da SpaceX, que antes do lançamento dizia esperar “aprender rapidamente e fazer mudanças no design”, de modo a alcançar o objetivo proposto.
No início de março, no oitavo teste da Starlink, o foguetão acabou por cair cerca de cinco minutos depois do lançamento. A empresa perdeu o controlo e as comunicações com o equipamento. Após uma investigação, a SpaceX percebeu que tinha tratado de um “falhanço no hardware”. No lançamento de janeiro, uma explosão destruiu parte do foguetão.