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Os Estados Unidos já confirmaram que, quando enviaram a proposta de cessar-fogo ao Hamas, Israel já tinha aprovado o documento. No entanto, ainda se espera por uma resposta final da parte do grupo palestiniano, que já demonstrou não estar feliz com o que foi delineado pela Casa Branca.

Em comunicado, Bassem Naim, membro do gabinete político do Hamas, que a proposta do enviado especial dos Estados Unidos para o Médio Oriente, Steve Witkoff, para a libertação dos reféns “não atende a nenhuma das exigências do povo palestiniano”. O grupo diz ainda que o documento significa “perpetuar a ocupação e continuar com as mortes e a fome — mesmo durante o período de trégua temporária”.

Mas o que prevê a proposta enviada pelos EUA a Israel e a Gaza? Esta quinta-feira, o Times of Israel divulgou, na íntegra, o texto de  Witkoff, que tem 13 pontos no total e cuja autenticidade foi confirmada ao jornal por duas fontes que estão por dentro das negociações.

60 dias, que podem aumentar para negociar com “boa-fé”

No documento, fica a saber-se que o cessar-fogo poderá ter uma duração de “60 dias”, sendo que o “Presidente Trump garante a adesão de Israel ao cessar-fogo durante o período acordado”. É ainda definido que “as negociações sobre os acordos necessários para um cessar-fogo permanente devem ser concluídas” nesses dois meses.

Logo no primeiro dia do acordo, é suposto começarem “as negociações sobre os acordos necessários para um cessar-fogo permanente”. Em causa está definir como será feita “a troca de todos os restantes reféns israelitas por um número a ser acordado de prisioneiros palestinianos nas prisões israelitas”, mas também “questões relacionadas com a redistribuição e retirada das forças israelitas e acordos de segurança a longo prazo dentro da Faixa de Gaza”. Além disso, é preciso construir os “acordos relacionados com o ‘dia seguinte’ na Faixa de Gaza”. Depois, é o próprio anúncio da trégua final.

Caso o objetivo não seja alcançado, “o cessar-fogo temporário poderá ser prorrogado sob condições e por um período a ser acordado pelas partes, desde que estas negociem de boa-fé”, pode ler-se no documento.

Libertação de reféns ao primeiro e ao sétimo dia do acordo

Relativamente aos reféns, o objetivo é que, logo no primeiro dia do acordo, sejam libertados cinco reféns vivos e nove pessoas mortas. Os restantes (novamente cinco vivos e nove mortos) serão libertados no sétimo dia. Em troca da libertação dos dez reféns israelitas vivos, segundo o documento apresentado no Times of Israel, Telavive libertará 125 prisioneiros condenados a “prisão perpétua” e 1111 presos detidos após o 7 de outubro de 2023. Já os restos mortais dos 18 reféns israelitas serão trocados pelos corpos de 180 palestinianos mortos. É suposto que as trocas aconteçam ao primeiro e sétimo dia do acordo, sem exibições públicas ou cerimónias.

Ao décimo dia de acordo, é suposto o grupo palestiniano fornecer informações completas, ou seja, provas de vida e relatório médico/prova de morte, sobre cada um dos restantes reféns. O documento prevê também que o Hamas garanta a saúde, o bem-estar e a segurança dos reféns durante o cessar-fogo. Em troca, “Israel dará informações completas sobre os prisioneiros palestinos detidos na Faixa de Gaza desde o 7 de outubro e o número de cidadãos de Gaza mortos mantidos em Israel”.

Chegado o fim do prazo e se concluídas as negociações para uma trégua permanente, “os restantes reféns (vivos e mortos) da ‘lista de 58’ fornecida por Israel serão libertados”.

IDF “redistribuídas” a ajuda humanitária assim que Hamas aceitar acordo

A proposta dos EUA coloca ainda como ponto fundamental que “todas as atividades militares ofensivas de Israel em Gaza sejam interrompidas após a entrada em vigor do acordo”. “Durante o período de cessar-fogo, haverá uma suspensão dos movimentos aéreos [militares e de vigilância] na Faixa de Gaza durante dez horas por dia ou doze horas por dia nos dias em que ocorrer a troca de reféns e prisioneiros”, delineou ainda Witkoff.

A presença das Forças de Defesa de Israel em Gaza também deve sofrer alterações. De acordo com o documento, “no primeiro dia, após a libertação dos reféns israelitas, terá início a “reorganização na parte norte da Faixa de Gaza e no corredor de Netzarim”. Ao sétimo dia, após mais uma vaga de libertação de reféns, haverá uma “redistribuição no sul da Faixa de Gaza”. “As equipas técnicas irão definir os limites finais da redistribuição durante as negociações de proximidade”, lê-se ainda no documento.

A ajuda humanitária, por seu turno, “será imediatamente enviada para Gaza assim que o Hamas concordar com o acordo de cessar-fogo”, garantem os EUA. A mesma será distribuída através de canais acordados, que incluirão as Nações Unidas e o Crescente Vermelho. “Qualquer acordo alcançado sobre a ajuda aos civis será respeitado ao longo do acordo”, é ainda garantido.

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Acordo será anunciado por Trump e negociações lideradas por Witkoff

No documento, é ainda garantido que o plano delineado conta com o apoio da Casa Branca. “O Presidente [Donald Trump] está empenhado no cumprimento do acordo de cessar-fogo pelas partes e insiste que as negociações durante o período de cessar-fogo temporário, se concluídas com sucesso com um acordo entre as partes, conduziriam a uma resolução permanente do conflito”, lê-se no documento, onde também fica definido que será o Chefe de Estado norte-americano “a anunciar pessoalmente o acordo de cessar-fogo”. “Os Estados Unidos e o Presidente Trump estão empenhados em trabalhar para garantir que as negociações de boa-fé continuem até que um acordo final seja alcançado”, é reforçado no texto.

Cabe aos mediadores (Estados Unidos, Egipto e Qatar) garantir “que o cessar-fogo continuará durante o período de 60 dias e por qualquer prorrogação acordada, assegurar que serão realizados debates sérios sobre os acordos necessários para um cessar-fogo permanente e envidar todos os esforços para assegurar a conclusão das negociações” projetadas. Por fim, fica igualmente definido que “o enviado especial dos Estados Unidos para o Médio Oriente irá à região para finalizar o acordo”, cabendo ao próprio Steve Witkoff presidir às restantes negociações.