O Chega vai eleger na quarta-feira a nova liderança da bancada parlamentar. André Ventura antecipou esta segunda-feira alterações para a nova legislatura, mas sem concretizar se Pedro Pinto se manterá como presidente do grupo parlamentar.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o presidente do Chega indicou que o partido “reunirá na quarta-feira todos os seus deputados e dará início ao processo de eleição de uma nova liderança parlamentar”. André Ventura antecipou “alterações no grupo da liderança parlamentar”, mas não quis concretizar, remetendo para mais tarde a sua indicação sobre quem deverá liderar a bancada do Chega.

“Na quarta-feira direi aos deputados aquilo que, na minha perspetiva, deve ser a nova liderança parlamentar para os próximos anos, nomeadamente tendo em conta que existirá um governo-sombra, indicado pela direção do partido, e que deve conseguir haver harmonia plena entre a bancada parlamentar e este novo governo-sombra, que vai também fiscalizar a atividade do governo e que vai intervir em áreas como a saúde, a habitação, a educação, os transportes, a imigração”, afirmou.

O líder do Chega considerou que Pedro Pinto teve “uma boa liderança de bancada”, que correspondeu às suas expectativas, enquanto líder do partido, e também da Direção Nacional.

“A liderança de bancada fez um bom trabalho e essa avaliação será feita também na próxima quarta-feira. E também na próxima quarta-feira direi, claro, qual é a minha perspetiva para essa bancada nos próximos anos. No entanto, teremos uma nova circunstância e essa circunstância é um governo-sombra e a importância da articulação levanta novos desafios à direção do partido, à liderança de bancada e aos deputados”, referiu também.

Pedro Pinto lidera a bancada do Chega desde 2022, quando o partido conseguiu pela primeira vez um grupo parlamentar com 12 deputados. Na última legislatura, foram eleitos como vices da bancada parlamentar do Chega os deputados Rui Paulo Sousa, Rita Matias, Jorge Galveias e Marta Silva.

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Chega vai propor debates de urgência sobre saúde e voto dos emigrantes

O Chega vai propor, no arranque da nova legislatura, dois debates de urgência, um sobre “a má gestão na saúde”, e o outro sobre o voto dos emigrantes nas últimas eleições legislativas, adiantou hoje o líder do partido.

“O Chega, imediatamente a seguir à tomada de posse da nova Assembleia da República, pedirá dois debates com urgência a serem realizados” no parlamento, afirmou André Ventura. Em declarações aos jornalistas no parlamento, o presidente do Chega indicou que “a má gestão na saúde será o primeiro tema a ser trazido com urgência ao novo parlamento”, sustentando que o que tem acontecido “na área da saúde é verdadeiramente gritante”.

“Eu não sei se o primeiro-ministro vai manter em funções ou não esta equipa da saúde, mas acho que o parlamento tem que dar um sinal urgente ao Governo de que correu mal, de que a gestão da saúde correu mal e de que agora, com uma nova liderança da oposição, a saúde vai mesmo ser escrutinada dia a dia, cêntimo ou cêntimo, para que ninguém ande a gastar dinheiro que não deva e para que tenhamos uma saúde que efetivamente funcione”, salientou.

O líder do Chega referiu que o outro debate que o partido vai propor será “sobre o voto dos emigrantes” nas eleições legislativas de 18 de maio, considerando que houve “uma percentagem elevadíssima de votos anulados”.

André Ventura indicou que o partido quer garantir que no futuro será possível “contornar um problema que parece evidente a todos, que é os emigrantes não conseguirem votar”. “Vamos trazer isso já com urgência às primeiras semanas do parlamento”, referiu. Nas últimas eleições legislativas, o Chega foi o partido mais votado nos dois círculos da emigração e conseguiu eleger dois dos quatro deputados possíveis.