O British Council foi designado pela Rússia como uma “organização indesejável”, de acordo com um comunicado do gabinete da procuradoria geral russo publicado na passada quinta-feira. Desta forma, a instituição que ensina e promove a língua inglesa no estrangeiro passa a estar no lote de organizações consideradas “extremistas” e “terroristas“.
Os serviços secretos russos acusam os seus homólogos britânicos de utilizar o British Council como uma organização de fachada para prejudicar a Federação Rússia. Os agentes russos do FSB terão identificado vários professores que lecionam em universidades de topo de 15 cidades russas que cooperavam com o British Council.
Os cidadãos identificados foram oficialmente avisados sobre a sua cooperação com a instituição de ensino, que os russos acusam de ter como agenda o apagamento da identidade russa e a construção de uma rede mundial de agentes de influência ao serviço do Reino Unido. A organização britânica qualifica como falsas as acusações de espionagem.
Ainda que o British Council tenha deixado de operar na Rússia desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, qualquer contacto de cidadãos russos com a instituição é considerado um grave delito. A frequência de aulas, a participação em exames de nível de língua inglesa (IELTS) ou em atividades culturais promovidas pela organização britânica podem ser punidas com multas ou mesmo pena de prisão, segundo o jornal El País.
“Não operamos na Rússia”, lê-se no site russo do British Council. “Esta proibição está relacionada com uma alteração na lei russa que afeta as organizações ligadas a governos estrangeiros que o governo russo considera indesejáveis”, explica o instituto. As autoridades russas acusam a organização de ensino de ser uma ferramenta do governo britânico fora de portas, de “apoiar o movimento LGBT que está proibido na Rússia”, de acordo com um comunicado da procuradoria geral russa.
O artigo do código penal russo que se aplica às atividades das organizações estrangeiras consideradas indesejáveis prevê que os contactos com estas instituições podem ser punidas com multas, cujo valor pode ascender a meio milhão de rublos (mais de cinco mil euros), com 360 horas de trabalho comunitários, ou com até cinco anos de prisão. Neste caso, os comportamentos visados vão desde partilhar publicações do British Council nas redes sociais a ter aulas ou fazer um donativo à organização.
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Depois do início da guerra na Ucrânia e o consequente fim da operação do British Council no país, vários cidadãos russos continuaram a frequentar aulas desta organização online e a submeter-se ao exame presencial IELTS, em países da Ásia Central ou na Turquia. Recentemente, altos cargos governamentais russos consideraram em público o Reino Unido, que é um dos países europeus mais empenhados na defesa da Ucrânia, como o “inimigo número um” da Rússia, de acordo com a Reuters.
“No dia 5 de junho, o governo russo anunciou o banimento de toda a colaboração com o British Council. Nós estamos desiludidos com este acontecimento”, lê-se num comunicado da instituição britânica. “Enquanto as relações políticas podem flutuar, acreditamos que é vital manter um diálogo constantes entre pessoas e instituições em todo o mundo.” De acordo com o website do Britsh Council, a organização foi fundada em 1934 para o difundir o “soft power” britânico, numa altura em que movimentos como o fascismo e o comunismo ganhavam terreno em vários países do mundo.
A Amnistia Internacional e a Fundação Elton John contra a SIDA são outras das organizações internacionais que recentemente foram consideradas como “indesejáveis” pela Rússia. Anteriormente, outras instituições foram alvo desta denominação pelas autoridades russas, por exemplo, a Greenpeace, vários meios de comunicação independentes russos e a organização contra a corrupção fundada por Alexei Navalny.