Pelo menos 270 pessoas, das quais 188 civis, foram vítimas de 285 incidentes com explosivos registados desde junho de 2020 na República Centro-Africana (RCA) pelo Serviço de Ação da ONU contra as Minas (UNMAS), anunciou esta quarta-feira a organização.

“A maioria dos incidentes está relacionada com explosivos remanescentes de guerra, provenientes de conflitos passados. As minas antitanque no oeste [do país] também continuam a ser uma ameaça”, disse a Missão Multidimensional Integrada de Estabilização da ONU na RCA (Minusca), num comunicado após uma conferência de imprensa conjunta com a responsável do UNMAS, Sophie Van Royen.

Só em 2025, já foram registados 35 incidentes, com 15 vítimas civis, enquanto a UNMAS já “neutralizou” seis engenhos explosivos e destruiu mais de 5 mil munições obsoletas.

O Governo centro-africano fez recentemente “progressos significativos” na luta contra as minas e para a próxima criação da Autoridade Nacional para a Ação contra as Minas (ANLAM), assegurou, na mesma conferência de imprensa, o tenente-coronel Edgar Ghazaka, que coordena estes esforços a nível nacional.

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Um “roteiro nacional” para a aplicação da ANLAM foi criado em várias reuniões organizadas no ano passado, enquanto em dezembro último o Ministério da Defesa Nacional da RCA, com o apoio do UNMAS, finalizou um projeto de decreto presidencial para a criação da instituição.

Entretanto, o país apresentou este ano o seu primeiro “relatório de transparência” à Convenção sobre a Proibição de Minas Antipessoal, da qual é Estado Parte, e estará representado pela primeira vez nas reuniões interseccionais dos países signatários em Genebra, disse a Minusca.

A RCA tem sofrido uma violência sistémica desde o final de 2012, quando uma coligação de grupos rebeldes de maioria muçulmana – a Séléka (“aliança” na língua Sango) – tomou a capital, Bangui, e derrubou o antigo Presidente François Bozizé após dez anos no poder (2003-2013), desencadeando uma guerra civil.

Atualmente exilado na Guiné-Bissau, Bozizé é alvo de um mandado de captura emitido por um tribunal patrocinado pela ONU na RCA por eventuais crimes contra a Humanidade.