O jovem de 20 anos que afirma ter agredido o ator Adérito Lopes no dia 10 de junho frente ao Teatro A Barraca recusa quaisquer ligações a grupos de extrema-direita e diz que cometeu as agressões quando estava alcoolizado, “num ato de impulso, estupidez e álcool”.
Em entrevista à TVI, o homem alegou que tinha ido sair na noite de dia 9, e que prolongou os excessos durante o dia que se seguiu. Soube do evento organizado por um grupo de neonazis no restaurante junto ao teatro “por um amigo” e, depois de ter passado pelo Museu dos Combatentes — onde também se registaram momentos de tensão nas celebrações do 10 de Junho — , se encaminhou para Santos.
Na entrevista, disse não integrar qualquer grupo de ideologia neonazi: “Recuso, nego, não faço parte de nada de extrema-direita”, garantiu. “Eu fui imigrante em África, vivi em Moçambique durante um ano. Tenho família e tudo o que tem que ser. Não me identifico com essa ideologia e fui no intuito de beber.”
O jovem diz não ter certezas sobre se o seu amigo tinha ou não ligações a grupos de extrema-direita, e que estava tão alterado pelo consumo de álcool que também não se apercebeu que estava num evento de um grupo que defendia essa ideologia.
“Não me apercebi de onde estava, estava simplesmente alcoolizado, sem noção das coisas. Pronto, depois, acho que foi cerca das oito da noite saímos. Pelo menos foi o que eu vi nas notícias. Saímos lá e estou a passar pelo teatro. E o que eu ouvi, e na altura assumi que tinha sido para mim, tinha sido ‘filhos da p***, ou filho da p***”, relatou. “E, num ato de impulso, estupidez e álcool, agredi. Pronto, depois descobri que era o ator, com um soco na cara. E foi uma estupidez.”
O agressor diz estar arrependido das agressões a Adérito Lopes, ator que afirmou ter sido “agredido violentamente no rosto” esta quinta-feira. Nas redes sociais, relatou ter sido “absolutamente surpreendido por um cruel e brutal ato de violência, totalmente gratuito” e que não houve da sua parte “qualquer ação em relação à pessoa do agressor ou em relação a qualquer outra pessoa ali presente”. Teve que procurar assistência hospitalar e o agressor foi identificado na noite da ocorrência.
O Ministério Público abriu um inquérito ao caso, que sucedeu por volta das 20 horas do dia 10 de junho. Segundo Maria do Céu Guerra, um “grupo de neonazis com cartazes” começaram por provocar uma das atrizes.
Segundo a imprensa, um dos elementos do grupo neonazi esteve envolvido no homicídio de Alcindo Monteiro, em 1995, no Bairro Alto. Outro elemento também foi condenado em 1991 a dois anos de prisão com pena suspensa devido ao conflito que levou à morte de José Carvalho, na sede do Partido Socialista Revolucionário em 1989.
Para este domingo, dia 15, está marcada uma concentração à frente do Teatro A Barraca em solidariedade com o ator agredido. “Convoca-nos em solidariedade para afirmar que não veremos a ascensão do fascismo em silêncio”, indica uma nota enviada à comunicação social.