O líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, considera que é “normal” o Governo dar voz a propostas da oposição e diz que as críticas do Partido Socialista não são “justas”.”O programa eleitoral está todo ele vertido no programa do Governo, mas depois o programa do Governo deve ir além e ter em atenção também as propostas dos outros partidos”, disse em declarações ao Observador, no programa “Explicador”.

O social-democrata, braço direito de Luís Montenegro, rejeita que a Aliança Democrática tenha escondido, em campanha, medidas que constam agora do Programa de Governo e lembra a expressão popular “preso por ter cão e por não ter”. Hugo Soares diz que se “se [o Governo] não acolhesse propostas” da oposição “estavam a dizer que o Governo era autocrático”.

[Ouça aqui o Explicador com Hugo Soares]

Hugo Soares: “Críticas do PS não parecem justas”

Este domingo, tanto José Luís Carneiro, candidato único à liderança do PS, como Carlos César, presidente do partido e secretário-geral interino, acusaram o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de se chegar “mais à direita”, acrescentando medidas ao Programa do Governo que não faziam parte do programa eleitoral da Aliança Democrática. O presidente do PS chegou mesmo a dizer que o acolhimento de medidas foi “para seduzir a IL e o Chega”.

Em declarações transmitidas pela RTP este domingo, José Luís Carneiro deu como exemplo as medidas “que não foram abordadas em sede de campanha eleitoral” e que agora estão no Programa do Governo, como as “matérias laborais”. As medidas nessa área “vão merecer uma apreciação estudada, fundamentada, da parte do PS”, frisou.

Ao Observador, Hugo Soares deixou claro que o direito à greve “não está em questão e nunca estará em questão”. “O que está em questão é compaginar o direito à greve com o exercício de outros direitos e de outros mecanismos”, rematou.