A televisão estatal iraniana IRIB TV mostrava as notícias sobre os ataques que Teerão e Telavive lançam reciprocamente desde sexta-feira. Porém, de repente, a imagem tremeu, um grande estrondo interrompeu a pivô que se levantou rapidamente da cadeira, enquanto caíam estilhaços no estúdio. O ecrã que servia de fundo para a transmissão apagou-se, uma nuvem de fumo encheu o estúdio e a transmissão foi interrompida durante algum tempo.

Foi assim que o canal de notícias estatal IRIB TV viveu e emitiu em direto o ataque de Israel à sede de transmissão esta segunda-feira.

As imagens publicadas nas redes sociais mostram papéis caídos no chão no exterior do edifício e uma grande nuvem de fumo negro a subir da estrutura. Apesar disto, de acordo com a BBC, a estação voltou a transmitir alguns minutos depois.

Segundo a própria estação, citada pela Deutsche Welle, três funcionários da televisão terão sido mortos no ataque e “outros” terão ficado feridos e foram hospitalizados, sem especificar quantos. Entre as vítimas mortais, informa a agência iraniana IRNA, estão a jornalista e editora Nima Rajabpour e o funcionário da secretaria Masoumeh Azimi.

Num outro vídeo, um jornalista da estação pública, identificado pela televisão pan-árabe Al Jazeera como Younes Shadlou, falava sobre o ataque com a mão ensanguentada e tendo o edifício da televisão em chamas em segundo plano, contando que muitos dos seus colegas estavam lá dentro durante o ataque, apesar das ordens de evacuação.

“Todos ficaram até ao último momento para mostrar ao mundo a verdadeira face do regime sionista”, disse no vídeo, traduzido pela Al Jazeera. “Não sei quantos dos meus colegas ainda estão lá dentro neste momento”, acrescentou.

Israel diz que televisão era um “centro” gerido pelos militares

Antes, Israel Katz, ministro da Defesa de Israel, tinha avisado que “o megafone de propaganda e incitamento iraniano” estava “prestes a desaparecer“. As IDF (Forças de Defesa de Israel, na sigla em inglês), na rede social X, tinham também emitido um aviso de evacuação para o 3.º distrito de Teerão, onde se localiza o edifício da sede.

Depois do ataque, Israel Katz confirmou a ofensiva à televisão israelita citada pela BBC,  tendo contado que  tinha ocorrido após a zona ter sido evacuada “em grande escala” e prometido que iriam “atacar o ditador iraniano onde quer que ele esteja“.

Já as IDF afirmaram no Telegram que a televisão servia como “centro de comunicações do regime iraniano” e era gerida pelas Guardas Revolucionárias do país.

“De acordo com os nossos serviços de informação, o centro era utilizado por forças militares para desenvolver atividades operacionais sob a aparência de bens e infraestruturas civis”, lê-se ainda na publicação.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, considerou que o ataque era “um ato perverso de crime de guerra” na rede social X. “O regime israelita é o maior inimigo da verdade e o assassino número um dos jornalistas e dos meios de comunicação social”, acrescentou, tendo apelado à atuação do Conselho de Segurança da ONU.

Notícia atualizada às 16h25 de terça-feira com dados sobre vítimas mortais do ataque