Mais um dia do Mundial de Clubes, mais um duelo absolutamente inédito. Fluminense e Borussia Dortmund cruzavam-se no arranque do Grupo F, onde são claramente os grandes favoritos ao apuramento para os oitavos de final da competição, e protagonizavam um encontro de realidades totalmente distintas.
De um lado, o Fluminense chegava ao Mundial de Clubes a meio da uma temporada em que está no sexto lugar do Brasileirão e olhava para a prova como uma espécie de tábua de salvação de um ano que não terá Taça Libertadores, graças à trágica 13.ª posição no Campeonato do ano passado. E Renato Gaúcho, treinador dos tricolores desde o início de abril, não tinha grandes pruridos na hora de vincar a diferença de condições entre o futebol brasileiro e o europeu.
The colours of MetLife Stadium. ????️#FIFACWC pic.twitter.com/NZnNCMC3kP
— FIFA Club World Cup (@FIFACWC) June 17, 2025
“Uma coisa é pegar em 100 reais e ir ao supermercado fazer compras, outra é pegar em dez mil reais e ir ao mesmo supermercado. Essa é a diferença do clube brasileiro para o clube europeu. O clube brasileiro está sempre com a corda esticada em termos de contratar. Muitas vezes, a gente pede jogadores e os dirigentes dizem que não podem trazer pela parte financeira. Na Europa é diferente: o treinador escolhe os três melhores da posição e eles trazem sempre um. E formam praticamente uma seleção. Na hora do ‘vamos ver’ é difícil medir forças com essas grandes equipas do futebol mundial”, explicou o treinador brasileiro, que vai na quinta passagem pelo comando técnico do Fluminense.
Do outro lado, o Borussia Dortmund chegava ao Mundial de Clubes depois de uma temporada complexa: Nuri Sahin não correspondeu como substituto de Edin Terzic, foi despedido em janeiro e Niko Kovac fez um autêntico milagre, completando uma reta final de época que permitiu terminar no quarto lugar da Bundesliga e garantir o apuramento para a Liga dos Campeões.
“Acho que esta competição é abordada de maneira muito diferente na América do Sul. O entusiasmo no Brasil, na Argentina ou até no México não tem paralelo com o que está a acontecer na Alemanha ou na Europa. Mas acho que é um momento importante e queremos abordar a competição da forma correta. Espero que a mensagem também chegue à Alemanha, de que este torneio tem valor, porque é importante competir com os melhores dos outros continentes. Estou à espera de que as equipas sul-americanas sejam protagonistas e existe uma enorme qualidade de talento nestas equipas”, indicou o técnico croata que foi campeão alemão com o Bayern Munique em 2018/19.
#TIMEDEGUERREIROS NO AQUECIMENTO PARA A COPA DO MUNDO DE CLUBES DA FIFA! VAAAMOS PELO MUNDO! ????????????????????????#FIFACWC #TakeItToTheWorld pic.twitter.com/DlllsnkL4e
— Fluminense F.C. (@FluminenseFC) June 17, 2025
Assim, no MetLife Stadium de New Jersey, Renato Gaúcho apostava em Everaldo, Jhon Arias e Agustín Canobbio no ataque, contando já com Germán Cano, que esteve lesionado durante muito tempo, no banco de suplentes. Já Niko Kovac tinha Guirassy como referência ofensiva crónica, com Adeyemi e Julian Brandt nas posições mais próximas do avançado guineense, e também já contava com o reforço Jobe Bellingham no banco.
Numa primeira parte que terminou sem golos, o Fluminense teve as melhores oportunidades e nunca deixou fugir um claro ascendente face ao Borussia Dortmund. Jhon Arias rematou por cima (4′) e depois para defesa de Kobel (17′), Hércules atirou de fora de área para o guarda-redes encaixar (27′) e também Nonato e Martinelli protagonizaram situações de perigo. Os alemães só responderam por intermédio de Julian Brandt, que atirou para uma defesa atenta de Fábio (33′), mas demonstraram sempre muitas dificuldades para entrar no último terço de forma organizada e controlar as transições rápidas dos brasileiros.
So close. ????????#FIFACWC pic.twitter.com/dj24JfTlnv
— FIFA Club World Cup (@FIFACWC) June 17, 2025
Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a lógica da primeira parte manteve-se, com o Fluminense totalmente por cima e a construir as primeiras ocasiões de golo, com Hércules a rematar por cima já na área (50′) e Canobbio a desperdiçar uma oportunidade flagrante quando só tinha Kobel pela frente (58′). Niko Kovac respondeu com duas substituições, lançando Jobe Bellingham e Felix Nmecha, e o Borussia Dortmund apareceu pela primeira vez no segundo tempo com um remate rasteiro de Sabitzer que Fábio encaixou (64′).
Kobel tornou-se crucial ao evitar o golo de Everaldo com uma grande defesa depois de um pontapé de fora de área (69′) e Renato Gaúcho ainda lançou Germán Cano, Kevin Sorna e Lima, mas já nada mudou. Fluminense e Borussia Dortmund empataram sem golos num jogo em que os brasileiros foram consistentemente superiores e anularam-se mutuamente na corrida pelo primeiro lugar do Grupo F, deixando-o agora à mercê de Ulsan Hyundai ou Mamelodi Sundowns.
Kobel ????
???? @FIFACWC | @FluminenseFC 0 x 0 @BVB@FIFACWC | 14 Junho – 13 Julho | Vê todos os jogos grátis em https://t.co/fpfuiyzIoG | #FIFACWC #TakeItToTheWorld
????Todos os jogos em direto e exclusivo na app DAZN. pic.twitter.com/gf6oluv1s0— DAZN Portugal (@DAZNPortugal) June 17, 2025
A pérola
Sem grandes dúvidas, Gregor Kobel. O guarda-redes suíço não tremeu ao longo de todo o jogo, apesar de ainda ter recebido assistência médica na sequência de um choque violento com Everaldo, e realizou inúmeras defesas importantes que seguraram o resultado — saltando à vista uma dupla, com remate de Everaldo e recarga de Nonato, que já entrou no vídeo de melhores momentos do Mundial de Clubes.
O joker
Num jogo com poucas individualidades e sem um marcador de um golo para eleger, Jhon Arias acabou por evidenciar-se. O avançado colombiano teve as primeiras oportunidades do jogo, ainda na primeira parte, e foi quase sempre o grande inconformado do Fluminense, alavancando o ataque brasileiro através da velocidade e do poderio físico. Não conseguiu fazer a diferença, mas mostrou que será a principal dor de cabeça das defesas adversárias.
A sentença
Com um empate no arranque do Grupo F, Fluminense e Borussia Dortmund deixam o primeiro lugar à mercê de Ulsan Hyundai ou Mamelodi Sundowns, que se cruzam também esta terça-feira. Brasileiros e alemães, os grandes favoritos ao apuramento para os oitavos de final, terão agora de cumprir nos dois jogos seguintes para assegurar a qualificação.
A mentira
O Borussia Dortmund não é, pelo menos atualmente e neste jogo, superior ao Fluminense. Os brasileiros foram quase sempre melhores do que os alemães, entre oportunidades, presença no meio-campo contrário e posse de bola, e não permitiram quase nada a jogadores perigosos como Guirassy, Julian Brandt, Pascal Gross ou até Jamie Gittens. No fim, ficou a ideia de que a cair para algum lado a vitória teria de sempre de cair para a equipa do Rio de Janeiro.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]