Pavel Durov, o empresário fundador e atual CEO da aplicação de mensagens encriptadas Telegram, anunciou que, quando morrer, a sua fortuna — avaliada em cerca de 12 mil milhões de euros — será distribuída de forma igual pelos seus descendentes, que são mais de 100.
Em entrevista à revista francesa Le Point, o milionário russo de 40 anos revelou que embora seja pai oficial de apenas seis crianças, há 15 anos começou a doar esperma numa clínica, o que resultou na conceção de mais de 100 bebés em 12 países.
“São todos meus filhos e terão todos os mesmos direitos. Não quero que eles se separem depois da minha morte”, afirmou Durov durante a entrevista, acrescentando que escreveu o seu testamento aos 40 anos uma vez que a profissão que exerce acarreta riscos: “Defender liberdades atrai muitos inimigos, inclusive em Estados poderosos”.
Telegram. Detenção do CEO pode tornar-se um duelo entre liberdade de expressão e segurança pública?
O magnata sublinhou, no entanto, que os filhos só terão acesso à fortuna quando fizerem 30 anos. Esta decisão tem como objetivo fazer com que os descendentes “sejam capazes de criar e não dependerem de uma conta bancária“. “Quero que vivam como pessoas normais, que construam as suas vidas sozinhos, que aprendam a confiar em sim próprios”, sublinhou.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]
Esta entrevista surge depois de Durov ter sido detido, em França, no ano passado. Foi alvo de um mandado emitido pelas autoridades francesas, no âmbito de uma investigação que acusa o milionário de ser cúmplice de crimes que só foram concretizados devido às comunicações encriptadas do Telegram. Para os procuradores franceses, a aplicação terá facilitado crimes de lavagem de dinheiro, abuso sexual de menores, terrorismo e tráfico de droga.
Nas mesmas declarações, Durov negou qualquer irregularidade relacionada com as acusações que considera como “totalmente absurdas”. “Só porque os criminosos utilizam o nosso serviço de mensagens, isso não torna aqueles que o administram criminosos”, disse.
Nascido na Rússia, Durov vive agora no Dubai, onde o Telegram — fundado em 2013 — está sediado. Tem dupla nacionalidade francesa e dos Emirados Árabes Unidos. A aplicação permite grupos de até 200.000 membros, o que, segundo os críticos, facilita a disseminação de desinformação e a partilha de conteúdo conspiratório, neonazi, pedófilo ou relacionado com o terrorismo.
Pavel Durov, o russo detrás do Telegram que prometeu proteger os ucranianos