O Irão orquestrou o assassinato do ex-secretário de Estado Mike Pompeo, num hotel em Paris, em 2022, e Donald Trump foi avisado pelas autoridades norte-americanas, no mês de setembro antes das eleições, que o país tinha voltado a recrutar equipas profissionais que estavam ativas no país. As histórias são, noticia o Washington Post, publicadas num livro sobre a campanha presidencial de 2024, que irá ser lançado em breve.

Em causa está o livro “How Trump Retook the White House and the Democrats Lost America”, de Josh Dawsey, Tyler Pager e Isaac Arnsdorf, em que os autores escrevem sobre as ameaças à segurança de Donald Trump, dos políticos que lhe são mais próximos e a forma como essas circunstâncias obrigaram a mudanças.

Além da tentativa de homicídio de que Trump foi alvo, o livro dá conta de que as ameaças vindas do Irão geraram um aumento do medo e da ansiedade na equipa, de tal forma que a própria campanha foi alterada, desde logo no que à agenda e à deslocação do, na altura, recandidato à Presidência dos EUA dizia respeito. No livro diz também que, apesar de as autoridades estarem a investigar se há ligações entre os ataques a Trump durante a campanha e o Irão, não foi revelada qualquer ligação.

Os autores contam que assassinos iranianos tentaram matar altos dirigentes dos EUA pelo menos três vezes nos três anos anteriores à reeleição de Trump, sendo que a novidade está na tentativa que envolveu Mike Pompeo, quando estava num hotel em Paris e foi descoberto pelo Irão. No livro, que não traz mais detalhes, assegura-se que escapou por pouco.

O próprio Pompeo, no seu livro publicado em 2023, “Never Give an Inch”, escreveu que um membro do corpo da Guarda Revolucionária do Irão tentou matá-lo — e que a recompensa seria 1 milhão de dólares —, além de, alegadamente, também ter montado uma estratégia para assassinar o antigo conselheiro nacional de segurança John Bolton. Nessa altura, Pompeo deixou claro que esta era uma ameaça feita a vários responsáveis e famílias norte-americanos, que “aparecem na lista de mortes do Irão”.

Recorde-se que, em janeiro, o líder norte-americano revogou a proteção de segurança do Governo para o ex-secretário de Estado Mike Pompeo e o seu principal conselheiro, Brian Hook, que lhes foi atribuída quando foram ameaçados pelo próprio Irão após assumirem posições intransigentes quando ao país no primeiro mandato de Donald Trump na Casa Branca.