A Microsoft anunciou que está a desenvolver um programa de inteligência artificial (IA) que é mais eficaz do que profissionais médicos no diagnóstico de determinados casos clínicos. Tendo como lema “caminho para a superinteligência médica”, o modelo em causa tem como objetivo de dar resposta a casos “de diagnóstico complexo e intelectualmente desafiantes”, de acordo com o The Guardian.
Os resultados de estudos científicos revelados pela empresa tecnológica norte-americana concluem que, quando utilizado em conjunto com um modelo de inteligência artificial desenvolvido pela OpenIA, o novo programa é capaz de “resolver” corretamente oito em cada 10 casos de estudo de doenças complexas. Quando submetidos ao mesmo teste sem ter acesso a livros, à Internet ou à ajuda de outros clínicos, os médicos acertaram, em média, no diagnóstico de apenas dois casos em cada 10.
A Microsoft afirma que o programa de IA em causa é também mais eficaz do que os profissionais clínicos na requisição de exames médicos, sublinhando que esta tecnologia é uma alternativa que permite uma poupança substancial em recursos humanos. A empresa norte-americana não faz previsões das implicações que esta tecnologia pode ter ao nível laboral, destacando, por outro lado, as competências humanas que a IA não poderá (para já) replicar.
“Os seus papéis clínicos [dos médicos] são muito mais vastos do que simplesmente fazer diagnósticos. Eles precisam de navegar a ambiguidade e criar confiança com os pacientes e as suas famílias de uma maneira em que a IA não está treinada para fazer”. lê-se nas conclusões do estudo da Microsoft, que começará nos próximos tempo a ser sujeito à avaliação de outros académicos. O programa ainda não está pronto para ser utilizado em contexto clínico, sendo necessários mais testes para melhorar o diagnóstico em casos de sintomas mais leves.
O britânico Mustafa Suleyman, líder da unidade da Microsoft dedicada à IA, projetou o impacto que esta ferramenta tecnológica pode ter um grande na próxima década. “É bastante claro que estamos numa trajetória para ter sistemas que não errem, nos próximos 5 a 10 anos. Será um grande peso a sair dos ombros de todos os sistemas de saúde em todo o mundo”, disse.
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A Microsoft explica que está a desenvolver um programa que consegue ter uma abordagem passo a passo para chegar a um diagnóstico. Antes de chegar a uma conclusão, o novo modelo de IA faz perguntas detalhadas ao paciente, podendo inclusivamente requisitar exames médicos e responder com base nos resultados dos mesmos.
Para treinar o programa, a Microsoft utilizou estudos de casos publicados no New England Journal of Medicine. Além disso, na construção desta nova ferramenta, foram utilizadas outros modelos de IA desenvolvidos por outras tecnológicas como, por exemplo, o Gemini da Google, o Grok do X (antigo Twitter), o Anthropic e programas desenvolvidos pela OpenIA, que desenvolveu o ChatGPT.
De acordo com a Microsoft, a abordagem do novo modelo destaca-se, porque conseguirá recorrer a conhecimento especializado, em várias disciplinas médicas ao mesmo tempo. “O aumento deste nível de raciocínio tem o potencial de reestruturar a prestação de cuidados de saúde. A IA poderá dar aos pacientes a possibilidade de gerirem autonomamente questões rotineiras dos cuidados e equipar os médicos com apoio avançado na decisão em casos complexos.”