O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a considerar forçar os jornalistas a revelarem as suas fontes sobre a divulgação do relatório realizado pelos serviços secretos do Departamento de Defesa que desvenda que os ataques norte-americanos não destruíram, só atrasaram, o programa nuclear iraniano.

Numa entrevista este domingo à Fox News, Trump reforçou a ideia de que os ataques aéreos ao Irão conseguiram desmantelar totalmente o programa nuclear iraniano, rejeitando a informação que saiu nos meios de comunicação social norte-americanos de que as reservas de urânio enriquecido e as centrifugadoras utilizadas nesse processo permanecem intactas após o ataque da Casa Branca.

Nas mesmas declarações ao canal de televisão norte-americano, Trump classificou o relatório como “incompleto e tendencioso” e ameaçou impor consequências legais aos democratas e jornalistas por terem divulgado partes de uma “análise confidencial”.

Questionado sobre quem são os responsáveis por difundir as informações sobre “o voo perfeito para as instalações nucleares do Irão”, Donald Trump respondeu: “Pode descobrir. Se quisessem, poderiam descobrir facilmente”. Sugere, assim, que as autoridades norte-americanas podem descobrir prontamente quem divulgou estas informações ao confrontar diretamente os jornalistas e exigir que revelem as suas fontes em nome da segurança nacional, defendendo esta abordagem como necessária.

Nos últimos dias, o Presidente dos Estados Unidos criticou a CNN e o New York Times pela cobertura “antipatriota” e por divulgarem fake news sobre o ataque. Nos Estados Unidos, a Constituição geralmente protege os jornalistas, não estando obrigados a revelar as suas fontes, mas essa proteção, conhecida como reporter’s privilege, tem limites.

Numa carta enviada ao New York Times, um advogado do líder da Casa Branca afirmou que a reportagem prejudicou a reputação de Trump e exigiu uma retratação e um pedido de desculpas formal, classificando o conteúdo como “falso”, “difamatório” e “antipatriótico”.