“As instalações chave de enriquecimento nuclear do Irão foram completa e totalmente obliteradas“. A declaração foi feita por Donald Trump na madrugada deste domingo, horas depois de os Estados Unidos terem lançado ataques contra as centrais nucleares iranianas de Fordow, Natanz e Isfahan. Um relatório preliminar dos serviços secretos norte-americanos, revelado esta terça-feira, mostra que a realidade poderá ser diferente: os elementos centrais das centrais continuam intactos e o programa apenas terá sofrido atrasos.

O relatório foi realizado pelos serviços secretos do Departamento de Defesa — uma das 18 agências que compõem os serviços de informação norte-americanos –, resulta de uma análise preliminar, que ainda pode sofrer alterações, e concluiu que as reservas de urânio enriquecido, assim como as centrifugadoras utilizadas nesse processo permanecem intactas. “A avaliação é que os EUA atrasaram [o Irão] uns meses, no máximo”, relatou uma pessoa com conhecimento do documento à CNN, que confirmou a informação junto de outras duas fontes.

Os principais danos, visíveis nas imagens de satélite dos locais, registaram-se nas instalações à superfície, que incluem as infraestruturas energéticas e instalações para transformação de urânio em metal que pode ser utilizado em bombas, acrescentaram as fontes do canal norte-americano.

Em resposta, a Casa Branca acusou a CNN de divulgar “fake news“, sem negar, no entanto, a existência deste relatório. “Esta suposta ‘avaliação’ está completamente errada e foi classificada como ‘ultra-secreta’, mas mesmo assim foi divulgada à CNN por um, um falhado anónimo de baixo nível na comunidade dos serviços secretos”, escreveu Karoline Leavitt nas redes sociais, numa publicação em que repetiu as palavras de Trump de que o programa tinha sido “totalmente obliterado”.

A avaliação dos serviços secretos norte-americanos vai ao encontro das palavras do diretor da Agência Internacional de Energia Atómica, Rafael Grossi, em declarações à Fox News, também esta terça-feira, em que garantiu que o programa iraniano foi atrasado de “forma significativa”, sem nunca especificar se o atraso chegava a vários anos. Posteriormente, a informação avançada pela CNN também foi noticiada pelas agências Reuters e Associated Press.

Nas Nações Unidas, a avaliação dos Estados Unidos sobre o sucesso dos ataques fez coro com as palavras de Washington. “[Os ataques] cumpriram eficazmente o nosso objetivo restrito: degradar a capacidade de o Irão produzir uma arma nuclear“, declarou a representante norte-americana Dorothy Shea perante o Conselho de Segurança. Na mesma reunião, o representante israelita foi menos definitivo ao admitir que a “ameaça iminente” foi “removida”, mas defendendo que “ainda é cedo para avaliar todos os ataques” — e não fechando a porta a ações futuras.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 6.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto aqui]