As grandes discotecas em Ibiza, ilha espanhola conhecida pela vida noturna, estão a deixar saturados os serviços de emergência. A denúncia é feita pelo sindicato de técnicos de saúde ao jornal elDiário.es, que relatam uma situação limite e à beira de um “colapso” devido aos frequentes pedidos de ambulâncias para estes locais.

Os serviços de emergência, incluindo a gestão das ambulâncias, é feito por uma empresa pública, a GSAIB. O aumento do número de pessoas na ilha, especialmente na época do verão, preocupa as autoridades. Muitos dos turistas procuram as grandes discotecas da ilha — este ano, abriu mais uma, a UNVRS, com capacidade para 10 mil pessoas, que é agora a maior da ilha.

O ator Will Smith esteve na inauguração da discoteca, no mês passado, onde a entrada mais barata custa entre 80 a 100 euros. Esta discoteca pertence à família Matutes, a mais poderosa de Ibiza. Além da UNVRS, a família é ainda dona de outras duas discotecas na ilha: a Ushuaïa e a Hï Ibiza, nota o jornal Guardian. 

Os traumas familiares, a glória no cinema e um Óscar marcado por uma bofetada: a história e os dramas de Will Smith

Ao jornal espanhol, José Manuel Maroto, presidente do Comité de Empresa da União Sindical dos Técnicos Sanitários (USAE) afirma que são frequentes as chamadas para responder a emergências nas megadiscotecas, em muitos casos devido a problemas com álcool e drogas. Os serviços de emergência recebem entre 15 a 16 pedidos diários — cerca de cinco estão ligados a incidentes em estabelecimentos de diversão.

Maroto refere que são os mais de 161 mil residentes em Ibiza que pagam pelos serviços de emergência. A significativa procura, especialmente durante o verão, penaliza os residentes, diz o sindicato. Entre as discotecas, apenas uma, a DC10, tem contrato com uma empresa de ambulâncias para responder às emergências — todas as outras usam os serviços públicos.

“É inconcebível que empresas que faturam por ano milhares de milhões de euros não possam pagar por este serviço e saturem as emergências, privando os cidadãos de serviços”, declarou José Manuel Maroto ao jornal espanhol. “As discotecas são obrigadas a ter um serviço sanitário com enfermeiros e até técnicos de emergência, mas não são obrigadas a contratar um serviço de ambulância e isto acaba por depender do sistema público.”

Além da frequência dos pedidos de ambulância, os técnicos de saúde também se queixam da dificuldade da resposta nestes casos. “Em muitas ocasiões temos de imobilizar as pessoas que atendemos devido ao estado complicado [devido aos efeitos de álcool ou drogas]. Temos de suportar agressões e situações de muito perigo”, relata José Manuel Maroto.