O Conselho Nacional da Iniciativa Liberal aprovou este domingo, durante uma reunião em Coimbra, um segundo lote de candidaturas autárquicas, incluindo 30 candidaturas próprias — entre as quais a de Rui Rocha a Braga — e 14 em coligação. Apesar das várias alianças aprovadas ao lado do PSD, com várias em que se inclui também o CDS, continua a não estar aprovada uma coligação para Lisboa, o que tem irritado parte dos aparelhos locais dos vários partidos.

Segundo a informação enviada por fonte oficial da IL, entre as 14 autarquias a que o partido concorre em coligação encontra-se Vila Nova de Gaia, formalizando assim o apoio a uma aliança de direita que contará com o regresso do ex-autarca Luís Filipe Menezes como cabeça de lista (depois de ter negado que estivesse a planear regressar) e com Paulo Rangel a liderar a lista à Assembleia Municipal.

Em Alenquer, Arouca, Beja, Chaves, Faro, Lousada, Soure, e Tábua também há acordo entre (pelo menos) PSD, CDS e IL, sendo que a estes casos soma-se Coimbra, onde os liberais entram assim na coligação liderada pelo independente José Manuel Silva, que é atualmente presidente da autarquia.

Mas também há vários casos em que os “irritantes” entre os partidos ficam mais expostos, com PSD e IL a concorrerem sem a companhia do CDS. No caso de Sintra, por exemplo, os democratas-cristãos mostram-se descontentes com a coligação entre PSD e liberais, da qual fonte da estrutura centrista disse ao Público ter sabido através da comunicação social, apesar de PSD e CDS concorrerem coligados desde 2001 — e classificava a atitude como uma “falta de respeito”. A estrutura local acabou por aprovar esmagadoramente uma candidatura a solo, protagonizada pelo atual vereador Maurício Rodrigues, contra Marco Almeida, candidato repetente e apoiado por PSD e IL.

Em Gondomar, a concelhia do CDS também anunciou que o partido irá concorrer sozinho às autárquicas por não ter sido “possível chegar a acordo com a concelhia do PSD/Gondomar” para formar uma coligação, pelo que PSD e IL concorrem juntos. E em Albergaria-a-Velha, que é governada pelo CDS desde 2013, o PSD e o IL decidiram concorrer, numa candidatura encabeçada pela social democrata Sara Quinta, para tentar voltar a ‘roubar’ a autarquia ao CDS (era liderada pelo PSD até 2013) numa altura em que o atual presidente chega ao limite de mandatos.

Entre as 30 candidaturas a solo que a IL aprovou encontra-se a de Rui Rocha a Braga, que foi anunciada já depois de ter decidido demitir-se do cargo de presidente da IL (Mariana Leitão, candidata única, deverá substituí-lo na convenção nacional marcada para o próximo fim de semana, a 19 de julho). Nessa lista de autarquias também se contam câmaras como a Amadora, Aveiro, Barreiro, Loures, Matosinhos, Odivelas ou Viseu.

Na última convenção nacional, Mariana Leitão assumiu “alguma reserva” em relação a uma candidatura de coligação em Lisboa, acusando Carlos Moedas de não ter feito um “trabalho excecional”, mas reconhecendo que a aliança “seria o mais sensato a fazer” no caso de haver uma frente de esquerda. Entretanto, os liberais têm usado o silêncio como arma de negociação, sem adiantarem qualquer detalhe sobre as conversas que se prolongam no tempo e que implicam uma gestão delicada do equilíbrio de forças entre o antigo parceiro da AD — o CDS — e o potencial novo parceiro nas listas de candidatos.

Na moção com que se candidata à liderança da IL, Leitão diz ter ambição, “mais do que aumentar o número de eleitores” nas autárquicas, “criar laboratórios de governação liberal”. Num partido que, nos últimos anos, teve lutas internas desde os núcleos locais aos mais altos cargos, Leitão pretende que as autárquicas sejam mais uma prova de que esses tempos foram ultrapassados, mantendo a tese liberal de que os núcleos locais estão no “centro da estratégia”.