O realizador português Pedro Pinho decidiu boicotar o Festival de Cinema de Jerusalém, impedindo que a sua segunda longa-metragem, O Riso e a Faca, participe na 42.ª edição do certame, que se inicia esta quinta-feira. A notícia foi avançada pelo jornal Público.
Numa nota publicada nas redes sociais esta quarta-feira, Pedro Pinho diz ter recusado o convite do Festival de Cinema de Jerusalém para programar O Riso e a Faca, filme que se estreou em Cannes, na secção Un Certain Regard, e que valeu um prémio à atriz Cléo Diara. A recusa, escreve, acontece “por considerar que qualquer participação em eventos, programações, atividades que prolongam e promovem uma suposta normalidade da vida perante o genocídio em curso na Palestina se trataria da mais pura cumplicidade”.
“O Festival de Jerusalém é financiado pelo mesmo aparelho de Estado racista — pelo mesmo orçamento — que dedica uma parte substancial dos seus recursos a matar indiscriminadamente seres humanos, com o objetivo de colonizar um pedaço de Terra e exterminar um povo”, continua o autor de A Fábrica de Nada (2017).
“Considero ainda que nenhum ser humano — que ainda tenha alguma estima pela sua dignidade — pode seguir indiferente com a sua vida e o seu trabalho enquanto acontecem aos olhos de todos o horror mais extremo e a mais pura banalização da barbárie. O que se passa atualmente na Palestina, com a cumplicidade e o silêncio de grande parte da Europa, é a prova mais deplorável e acabada da falência moral do Ocidente. Para quem ainda restassem dúvidas.”
Pedro Pinho apela a “realizadores, produtores, atrizes, atores, artistas que não colaborem com nenhuma iniciativa cultural promovida ou com qualquer tipo de conexão com o Estado genocida de Israel”.
O festival, que arranca esta quinta-feira e decorre até 26 de julho, tem a atriz Gal Gadot e o produtor Lawrence Bender como convidados de honra nesta edição deste ano. “Apesar da guerra que ainda está a decorrer, o festival escolhe ser um farol cultural, lembrando-nos do poder da arte para curar e inspirar esperança”, afirmava a organização no final de junho num comunicado citado pelo meio israelita The Times of Israel.
Esta não é a primeira vez que um realizador boicota a presença no festival. Em 2023, Jane Campion retirou da programação do evento o filme da sua autoria de 1989, Sweetie.