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Realizador Pedro Pinho boicota Festival de Cinema de Jerusalém por promover "suposta normalidade perante o genocídio em curso na Palestina"

Este artigo tem mais de 1 ano

Cineasta português considera que participar no festival israelita "se trataria da mais pura cumplicidade” com “o genocídio” na Palestina.

epa12112003 Director Pedro Pinho attends the photocall for 'O Riso E A Faca (I Only Rest In The Storm)' during the 78th annual Cannes Film Festival, in Cannes, France, 18 May 2025. The film festival runs from 13 to 24 May 2025.  EPA/GUILLAUME HORCAJUELO
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O realizador Pedro Pinho no Festival de Cannes, em França, a 18 de maio

GUILLAUME HORCAJUELO/EPA

O realizador Pedro Pinho no Festival de Cannes, em França, a 18 de maio

GUILLAUME HORCAJUELO/EPA

O realizador português Pedro Pinho decidiu boicotar o Festival de Cinema de Jerusalém, impedindo que a sua segunda longa-metragem, O Riso e a Faca, participe na 42.ª edição do certame, que se inicia esta quinta-feira. A notícia foi avançada pelo jornal Público.

Numa nota publicada nas redes sociais esta quarta-feira, Pedro Pinho diz ter recusado o convite do Festival de Cinema de Jerusalém para programar O Riso e a Faca, filme que se estreou em Cannes, na secção Un Certain Regard, e que valeu um prémio à atriz Cléo Diara. A recusa, escreve, acontece “por considerar que qualquer participação em eventos, programações, atividades que prolongam e promovem uma suposta normalidade da vida perante o genocídio em curso na Palestina se trataria da mais pura cumplicidade”.

“O Festival de Jerusalém é financiado pelo mesmo aparelho de Estado racista —​ pelo mesmo orçamento —​ que dedica uma parte substancial dos seus recursos a matar indiscriminadamente seres humanos, com o objetivo de colonizar um pedaço de Terra e exterminar um povo”, continua o autor de A Fábrica de Nada (2017).

“Considero ainda que nenhum ser humano — que ainda tenha alguma estima pela sua dignidade — pode seguir indiferente com a sua vida e o seu trabalho enquanto acontecem aos olhos de todos o horror mais extremo e a mais pura banalização da barbárie. O que se passa atualmente na Palestina, com a cumplicidade e o silêncio de grande parte da Europa, é a prova mais deplorável e acabada da falência moral do Ocidente. Para quem ainda restassem dúvidas.”

Pedro Pinho apela a “realizadores, produtores, atrizes, atores, artistas que não colaborem com nenhuma iniciativa cultural promovida ou com qualquer tipo de conexão com o Estado genocida de Israel”.

O festival, que arranca esta quinta-feira e decorre até 26 de julho, tem a atriz Gal Gadot e o produtor Lawrence Bender como convidados de honra nesta edição deste ano. “Apesar da guerra que ainda está a decorrer, o festival escolhe ser um farol cultural, lembrando-nos do poder da arte para curar e inspirar esperança”, afirmava a organização no final de junho num comunicado citado pelo meio israelita The Times of Israel.

Esta não é a primeira vez que um realizador boicota a presença no festival. Em 2023, Jane Campion retirou da programação do evento o filme da sua autoria de 1989, Sweetie.

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