Os Estados Unidos e a Venezuela completaram uma troca de prisioneiros que permitiu a libertação de dez cidadãos norte-americanos que estavam detidos pelo regime venezuelano, em troca da libertação de 252 venezuelanos que se encontravam presos no Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), a controversa mega-prisão situada em El Salvador para onde os EUA enviaram centenas de migrantes, muitos deles venezuelanos.
O anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que numa mensagem publicada no Twitter afirmou que, “graças à liderança do Presidente [Trump], dez norte-americanos que estavam detidos na Venezuela estão a caminho da liberdade”.
Thanks to @POTUS’s leadership, ten Americans who were detained in Venezuela are on their way to freedom.
I want to thank my team at the @StateDept & especially President @nayibbukele for helping secure an agreement for the release of all of our American detainees, plus the…
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) July 18, 2025
Na mensagem, Rubio agradece à equipa da Secretaria de Estado dos EUA e ao Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, “por ter ajudado a garantir um acordo para a libertação de todos os nossos detidos norte-americanos, e ainda a libertação de presos políticos venezuelanos”.
Também através das redes sociais, a embaixada dos Estados Unidos na Venezuela divulgou uma fotografia dos dez detidos que foram libertados. “Nada diz liberdade como a bandeira norte-americana”, lê-se na legenda da imagem, que anuncia que os dez — fotografados com bandeiras norte-americanas — já estão a caminho do território dos EUA.
Nothing says freedom like the American flag. Ten Americans freed from Venezuelan prisons today are coming home because of @POTUS, @SecRubio & @nayibbukele.
America First in action. pic.twitter.com/pc6bI0Wgnx
— Embajada de los EE.UU., Venezuela (@usembassyve) July 18, 2025
Entre os dez cidadãos norte-americanos que estavam detidos em prisões venezuelanas encontrava-se Wilbert Joseph Castaneda, um antigo fuzileiro que foi detido no ano passado quando se encontrava na Venezuela numa viagem pessoal. “Rezámos por este dia durante quase um ano”, disse a família de Castaneda num comunicado citado pela CBS. “O meu irmão é um homem inocente que foi usado como um peão político pelo regime de Maduro.”
Como lembra a mesma estação norte-americana, os Estados Unidos têm alertado repetidamente os cidadãos norte-americanos para não viajarem para a Venezuela, devido ao risco de detenção ilegítima por terem nacionalidade dos EUA. De resto, a própria embaixada dos EUA na Venezuela tem as operações suspensas, não havendo neste momento representação diplomática ativa norte-americana no país, de acordo com o site da embaixada.
De acordo com Marco Rubio, até esta sexta-feira “havia mais norte-americanos ilegitimamente detidos na Venezuela do que em qualquer outro país do mundo”. Neste momento, segundo o chefe da diplomacia dos EUA, “todos os norte-americanos que estavam ilegitimamente detidos na Venezuela já estão em liberdades e de regresso ao seu país-natal”.
O Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, confirmou nas redes sociais que o país entregou à Venezuela “todos os nacionais venezuelanos detidos” no país, “acusados de fazerem parte da organização criminosa Tren de Aragua”, muitos dos quais “enfrentam múltiplas acusações de homicídio, roubo, violações e outros crimes muito graves”.
Today, we have handed over all the Venezuelan nationals detained in our country, accused of being part of the criminal organization Tren de Aragua (TDA). Many of them face multiple charges of murder, robbery, rape, and other serious crimes.
As was offered to the Venezuelan… pic.twitter.com/teuIT4GiRT
— Nayib Bukele (@nayibbukele) July 18, 2025
“Tal como oferecido ao regime venezuelano em abril, levámos a cabo esta devolução em troca de um número considerável de presos políticos venezuelanos, pessoas que o regime manteve nas suas prisões durante anos, bem como de todos os cidadãos norte-americanos que mantinha como reféns”, escreveu Bukele. “Estes indivíduos estão agora a caminho de El Salvador, onde vão fazer uma curta paragem antes de continuarem o seu caminho para casa.”
“Esta operação é o resultado de meses de negociações com um regime tirânico que durante muito tempo recusou a libertação das suas principais vantagens negociais: os seus reféns”, acrescentou.
Do lado norte-americano, estão em causa 252 venezuelanos que foram detidos nos EUA e que foram deportados pela administração Trump com recurso a uma lei do século XVIII. Foram enviados para El Salvador, onde o regime de Bukele aceitou recebê-los na mega-prisão CECOT.