Os Estados Unidos e a Venezuela completaram uma troca de prisioneiros que permitiu a libertação de dez cidadãos norte-americanos que estavam detidos pelo regime venezuelano, em troca da libertação de 252 venezuelanos que se encontravam presos no Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), a controversa mega-prisão situada em El Salvador para onde os EUA enviaram centenas de migrantes, muitos deles venezuelanos.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que numa mensagem publicada no Twitter afirmou que, “graças à liderança do Presidente [Trump], dez norte-americanos que estavam detidos na Venezuela estão a caminho da liberdade”.

Na mensagem, Rubio agradece à equipa da Secretaria de Estado dos EUA e ao Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, “por ter ajudado a garantir um acordo para a libertação de todos os nossos detidos norte-americanos, e ainda a libertação de presos políticos venezuelanos”.

Também através das redes sociais, a embaixada dos Estados Unidos na Venezuela divulgou uma fotografia dos dez detidos que foram libertados. “Nada diz liberdade como a bandeira norte-americana”, lê-se na legenda da imagem, que anuncia que os dez — fotografados com bandeiras norte-americanas — já estão a caminho do território dos EUA.

Entre os dez cidadãos norte-americanos que estavam detidos em prisões venezuelanas encontrava-se Wilbert Joseph Castaneda, um antigo fuzileiro que foi detido no ano passado quando se encontrava na Venezuela numa viagem pessoal. “Rezámos por este dia durante quase um ano”, disse a família de Castaneda num comunicado citado pela CBS. “O meu irmão é um homem inocente que foi usado como um peão político pelo regime de Maduro.”

Como lembra a mesma estação norte-americana, os Estados Unidos têm alertado repetidamente os cidadãos norte-americanos para não viajarem para a Venezuela, devido ao risco de detenção ilegítima por terem nacionalidade dos EUA. De resto, a própria embaixada dos EUA na Venezuela tem as operações suspensas, não havendo neste momento representação diplomática ativa norte-americana no país, de acordo com o site da embaixada.

De acordo com Marco Rubio, até esta sexta-feira “havia mais norte-americanos ilegitimamente detidos na Venezuela do que em qualquer outro país do mundo”. Neste momento, segundo o chefe da diplomacia dos EUA, “todos os norte-americanos que estavam ilegitimamente detidos na Venezuela já estão em liberdades e de regresso ao seu país-natal”.

O Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, confirmou nas redes sociais que o país entregou à Venezuela “todos os nacionais venezuelanos detidos” no país, “acusados de fazerem parte da organização criminosa Tren de Aragua”, muitos dos quais “enfrentam múltiplas acusações de homicídio, roubo, violações e outros crimes muito graves”.

“Tal como oferecido ao regime venezuelano em abril, levámos a cabo esta devolução em troca de um número considerável de presos políticos venezuelanos, pessoas que o regime manteve nas suas prisões durante anos, bem como de todos os cidadãos norte-americanos que mantinha como reféns”, escreveu Bukele. “Estes indivíduos estão agora a caminho de El Salvador, onde vão fazer uma curta paragem antes de continuarem o seu caminho para casa.”

Como é o CECOT, a grande prisão em El Salvador, para onde poderão ser enviados criminosos norte-americanos?

“Esta operação é o resultado de meses de negociações com um regime tirânico que durante muito tempo recusou a libertação das suas principais vantagens negociais: os seus reféns”, acrescentou.

Do lado norte-americano, estão em causa 252 venezuelanos que foram detidos nos EUA e que foram deportados pela administração Trump com recurso a uma lei do século XVIII. Foram enviados para El Salvador, onde o regime de Bukele aceitou recebê-los na mega-prisão CECOT.