Detido no sábado, libertado nesta segunda-feira. O conhecido ativista queniano dos direitos humanos, que se tem destacado nos protestos antigovernamentais, saiu em liberdade sob fiança,  depois de ter sido acusado de posse de botijas de gás lacrimogéneo e de uma única bala de espingarda encontrada em sua casa.

Boniface Mwangi, que é fotojornalista, foi detido no sábado, dia 19 de junho, acusado de “facilitar atos terroristas” durante um protesto contra o governo de William Ruto, avançou a Direção de Investigação Criminal (DIC) do Quénia.

Mas esta segunda-feira, as autoridades deixaram cair a ligação aos atos considerados de terrorismo, ficando Mwangi sob duas acusações, a de posse de substâncias nocivas e de munições. E o ativista regressou a casa com a sua mulher e filho.

Presente a tribunal esta segunda-feira, Mwangi é agora acusado de estar na posse “de substâncias nocivas, nomeadamente três botijas de gás lacrimogéneo sem autorização legal”, adianta o The Star. O jornal queniano, que viu uma página do processo, noticia ainda que o ativista é também acusado de estar na posse de uma “munição branca de 7,62x51mm sem autorização legal”, ou seja, explica a Reuters, uma única bala de espingarda.

Os ativistas quenianos, que esta segunda-feira encheram a sala de audiências no tribunal em que Mwangi era ouvido, alguns com com bandeiras do Quénia, estão preocupados com as detenções de críticos do governo. E isto desde que um blogger político morreu em junho quando estava sob custódia policial, motivando semanas de manifestações violentas em que cerca de 50 pessoas foram mortas.

Numa primeira fase, a polícia deu a entender que Albert Ojwang tinha morrido por suicídio, mas mais tarde pediu desculpa depois de uma autópsia ter revelado que os ferimentos apontavam para uma agressão como causa da morte.

Estas manifestações devido à morte de Ojwang vieram reabrir os protestos do ano passado por causa do custo de vida e da alegada brutalidade e corrupção da polícia. E neste movimento Mwangi, que já foi torturado  teve papel preponderante.

Mwangi tornou-se conhecido por se pronunciar contra as violações dos direitos humanos no Quénia e no estrangeiro. Já foi candidato ao parlamento com uma plataforma anti-corrupção e ainda em maio, A vizinha Tanzânia, para onde tinha ido assistir à audiência de um processo de traição contra uma figura da oposição do Quénia, expulsou-o.