Detido no sábado, libertado nesta segunda-feira. O conhecido ativista queniano dos direitos humanos, que se tem destacado nos protestos antigovernamentais, saiu em liberdade sob fiança, depois de ter sido acusado de posse de botijas de gás lacrimogéneo e de uma única bala de espingarda encontrada em sua casa.
Boniface Mwangi, que é fotojornalista, foi detido no sábado, dia 19 de junho, acusado de “facilitar atos terroristas” durante um protesto contra o governo de William Ruto, avançou a Direção de Investigação Criminal (DIC) do Quénia.
BONIFACE MWANGI ARRESTED OVER TERROR FACILITATION
Boniface Mwangi was arrested yesterday, July 19, 2025, by detectives at his residence in Lukenya in Machakos County in connection with the facilitation of terrorist activities during the June 25, 2025, protests.
During the… pic.twitter.com/4jEyzP6m3N
— DCI KENYA (@DCI_Kenya) July 20, 2025
Mas esta segunda-feira, as autoridades deixaram cair a ligação aos atos considerados de terrorismo, ficando Mwangi sob duas acusações, a de posse de substâncias nocivas e de munições. E o ativista regressou a casa com a sua mulher e filho.
In the end the Constitution won!
We confirmed that #ActivistsAreNotTerrorists
The @DCI_Kenya tried every means to come up with a terrorism charge but failed.@bonifacemwangi has been released. He has gone home with his wife and son.
Viva Comrades Viva! pic.twitter.com/hwRLgbDu4k
— husseinkhalid (@husskhalid) July 21, 2025
Presente a tribunal esta segunda-feira, Mwangi é agora acusado de estar na posse “de substâncias nocivas, nomeadamente três botijas de gás lacrimogéneo sem autorização legal”, adianta o The Star. O jornal queniano, que viu uma página do processo, noticia ainda que o ativista é também acusado de estar na posse de uma “munição branca de 7,62x51mm sem autorização legal”, ou seja, explica a Reuters, uma única bala de espingarda.
BREAKING: Kenya’s most prominent activist Boniface Mwangi to be charged in court for having unlicensed ammunition because of “three teargas canisters” and a blank round displayed at his office pic.twitter.com/9Ycp0ARJGW
— Larry Madowo (@LarryMadowo) July 21, 2025
Os ativistas quenianos, que esta segunda-feira encheram a sala de audiências no tribunal em que Mwangi era ouvido, alguns com com bandeiras do Quénia, estão preocupados com as detenções de críticos do governo. E isto desde que um blogger político morreu em junho quando estava sob custódia policial, motivando semanas de manifestações violentas em que cerca de 50 pessoas foram mortas.
Numa primeira fase, a polícia deu a entender que Albert Ojwang tinha morrido por suicídio, mas mais tarde pediu desculpa depois de uma autópsia ter revelado que os ferimentos apontavam para uma agressão como causa da morte.
Estas manifestações devido à morte de Ojwang vieram reabrir os protestos do ano passado por causa do custo de vida e da alegada brutalidade e corrupção da polícia. E neste movimento Mwangi, que já foi torturado teve papel preponderante.
“If you are silent about your pain, they’ll kill you and say you enjoyed it.”- Zora Neale Hurston
Today l turn 42 years old. Almost two months ago, Agather and l were abducted and tortured in the most inhumane and gruesome way. Our respective governments played a role in our… pic.twitter.com/5ix4SYLyrM
— The People’s Watchman (@bonifacemwangi) July 10, 2025
Mwangi tornou-se conhecido por se pronunciar contra as violações dos direitos humanos no Quénia e no estrangeiro. Já foi candidato ao parlamento com uma plataforma anti-corrupção e ainda em maio, A vizinha Tanzânia, para onde tinha ido assistir à audiência de um processo de traição contra uma figura da oposição do Quénia, expulsou-o.