Dezenas de moradores de bairros da periferia de Lisboa exigiram esta quarta-feira “vida justa”, em frente à sede do Governo, na capital, antes de entregarem uma carta aberta pedindo um programa de emergência nacional para responder à crise de habitação.

“Governo, escuta, queremos vida justa”, gritaram, com auxílio de megafones, recordando que “a cidade é para morar, não é só para trabalhar”.

Chegados de autocarros ao centro da capital, moradores dos bairros de Penajóia e Raposo, em Almada, Santa Marta, no Seixal, Talude e Quinta do Mocho, em Loures, Estrada Militar, na Amadora, concentraram-se para avisar que estão “juntos” e “fortes”.

Apoiados por várias associações e coletivos, signatários da carta aberta, entoaram “o povo unido jamais será vencido” e exigiram “nem menos, nem mais, direitos iguais”.

A convocatória para a concentração partiu do movimento Vida Justa, em defesa de um plano de emergência nacional para a habitação.

A carta aberta “Parar os despejos e resolver a situação da habitação” conta com mais de 3.200 subscrições individuais e cerca de 150 organizações apoiantes e exige “soluções reais “para a crise na habitação.

Em concreto, o movimento Vida Justa pede uma resposta para as “mais de 90 famílias sem casa e mais de 60 crianças a viver na rua” nos bairros do Talude Militar e da Estrada Militar da Mina de Água, onde as autarquias ordenaram este mês a demolição de construções precárias.

[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]

O Vida Justa contabiliza “23 bairros de barracas na Grande Lisboa” e assinala que “há cada vez mais famílias trabalhadoras que não conseguem alugar uma casa e nem sequer um quarto”.

Dirigindo-se em concreto às autarquias de Loures e Amadora, o movimento lamenta que “a única coisa que fazem é criminalizar as populações trabalhadoras e deitar para as costas delas a culpa de uma política criminosa”.

O Vida Justa acusa ainda Governo e autarquias de nada fazerem para resolver o problema e exige “soluções reais” para o que considera ser uma “catástrofe humanitária”.

Os municípios de Loures e Amadora, no distrito de Lisboa, ambos presididos pelo PS, realizaram em meados de julho operações de demolição de casas precárias construídas pelos habitantes, gerando contestação.