“Para sermos livres, precisamos ser temidos. Não fomos temidos o suficiente”. Foi assim que o Presidente francês, Emmanuel Macron, reagiu à postura da Comissão Europeia nas negociações que levaram ao acordo comercial atingido com os Estados Unidos este domingo, ainda que considere que os termos “preservam os interesses europeus e franceses”.

Os comentários de Macron, citados pelo jornal francês Le Monde, foram feitos na última reunião do Conselho de Ministros do governo do país, onde Macron sublinhou que “a Europa ainda não se vê suficientemente como uma potência”, garantindo que a França iria manter a “posição de firmeza e de exigência” que tem tido até agora.

Estados Unidos e União Europeia fecham acordo para tarifas de 15%. UE vai comprar 750 mil milhões de dólares em energia

Entre os pontos positivos que Macron aponta no entendimento UE-EUA estão o facto de garantir “isenções de direitos aduaneiros” para alguns dos “principais setores de exportação” de França, “nenhuma concessão” para os setores agrícolas norte-americanos e “nenhuma contestação” da “autonomia reguladora” e das normas sanitárias e ambientais” francesas”.

O primeiro-ministro francês, numa publicação na rede social X feita depois do anúncio na Escócia da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, já tinha feito fortes críticas à forma como o processo de negociação se desenvolveu.

“É um dia sombrio aquele em que uma aliança de povos livres, reunidos para afirmar os seus valores e defender os seus interesses, se decide pela submissão”, escreveu então.

Sophie Primas, porta-voz do governo que falou depois do Conselho de Ministros, disse que “todos” — incluindo o Governo e Macron — teriam preferido “que este acordo fosse celebrado nas condições habituais das negociações, ou seja, num quadro oficial e não num clube de golfe privado na Escócia”.

Acordo EUA-UE. Cinco perguntas e respostas sobre um entendimento em que Bruxelas “cedeu muito mais do que conseguiu em troca”

Porém, falando dentro da reunião do Conselho de Ministros, Emmanuel Macron sublinhou como novas isenções podem ser negociadas com os Estados Unidos até tudo ficar formalmente alinhado. “Isto não é o fim da história e não vamos ficar por aqui”, disse.

Esta quarta-feira, à televisão RTL, o ministro da Economia francês, Eric Lombardi, garantiu que o acordo era “o melhor compromisso possível para a nossa economia” e que não era nenhum “naufrágio”. Para além disso, Paris estava ainda a tentar obter condições especiais para setores específicos da economia do país no acesso ao mercado norte-americano.

“Continuamos a negociar com os americanos para que, se possível, bebidas espirituosas, talvez vinho, e outros setores sejam isentos. Este é um trabalho em desenvolvimento”, sublinhou.