A Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) concluiu esta sexta-feira que existiu um “efetivo atraso” no atendimento a um homem, de 73 anos, que morreu durante a greve dos trabalhadores do INEM a 31 de outubro do ano passado. Ainda assim, a IGAS não conseguiu identificar um “nexo de causalidade entre a demora e o desfecho fatal verificado”.
Segundo o jornal Norte Alentejo, o idoso sentiu-se mal quando se encontrava em casa. Apercebendo-se da situação, os familiares contactaram os Bombeiros de Vendas Novas, que se viram forçados a chamar o INEM por meios próprios. Nesse dia, recorde-se, estava a decorrer uma greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar do INEM, que recebem as chamadas. Os meios do INEM terão demorado cerca de 40 minutos a prestar socorro ao idoso, sendo que, à chegada das equipas, já nada havia a fazer.
Numa nota com as conclusões do inquérito instaurado a este caso, enviada ao Observador, a IGAS conclui que se verificou “um efetivo atraso no atendimento que condicionou o socorro médico à vítima“, sem que, no entanto, seja possível “estabelecer um nexo de causalidade entre a demora e o desfecho fatal verificado uma vez que as probabilidades de sobrevivência seriam bastante limitadas, quase nulas, atento o quadro clínico do utente”.
IGAS. Utente que morreu em Bragança podia ter sobrevivido se socorro fosse imediato
O relatório foi remetido ao Conselho Diretivo do INEM, para que “avalie as alterações que considere necessárias ao funcionamento do SIEM [Sistema Integrado de Emergência Médica]”, ao Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central e ao gabinete da ministra da Saúde, para conhecimento. Foi ainda remetido ao Ministério Público (MP), Procuradoria da República da Comarca de Bragança, Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP), onde corre um inquérito judicial sobre esta ocorrência.
Além deste inquérito, a IGAS concluiu outros seis referentes às 12 mortes que está a investigar no âmbito das greves que afetaram o funcionamento do INEM entre 31 de outubro e 4 de novembro do ano passado. De entre os inquéritos com investigação já concluída, apenas em dois casos (o de um homem de 53 anos residente em Pombal e o de um idoso de 86 anos residente em Bragança) os inspetores concluíram que as mortes poderias ter sido evitadas se o socorro tivesse socorrido num tempo mínimo e razoável.
[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]