Sessenta mil é o número confirmado pelo Ministério da Saúde de Gaza para o número de mortos em quase dois anos de conflito entre o Hamas e Israel. Destes, cerca de 18.500 são crianças, de acordo com a mesma autoridade dentro do enclave, a única que é responsável por estes dados e a manutenção do registo. Ou seja, lembra o Washington Post, mais do que uma por hora.

Israel contrapõe que estes números são inflacionados e que não representam a realidade do conflito, onde a grande maioria das vítimas mortais são militantes do grupo palestiniano. Porém, existe quem admita que estes valores podem até sub-representar aquilo que se vive no terreno.

Com acesso a estes dados — que não discriminam entre combatentes e civis —, o jornal norte-americano Washington Post publicou uma lista de nomes de todas as crianças de Gaza que morreram no decorrer da guerra, acompanhado por algumas das suas histórias. A publicação recorda que os nomes que disponibilizaram são apenas aqueles que constam nos registos oficiais do Ministério gerido pelo Hamas, mas que vão desde jovens de 17 anos até bebés que não chegaram ao primeiro aniversário.

A peça recorda a história de algumas das vítimas. Sannd Abu al-Shaer, um dos exemplos descritos pelo Washington Post, tinha apenas 70 dias de vida quando terá sido atingido por um ataque aéreo israelita, em conjunto com os dois irmãos, Abdul e Tariq, com oito e cinco anos, respetivamente. A este drama junta-se também o de  Sham Abu Ajwa, de sete anos, Reem e Tariq Badwan e Hind Rajab, por exemplo, entre as dezenas de testemunhos que recolheram junto de familiares e conhecidos das crianças.

O jornal publicou ainda uma análise do número de vítimas mortais por idades: 953 crianças morreram antes de completarem um ano de vida, enquanto 1.218 ficaram a um aniversário de atingir a maioridade. As crianças representam 31% de todos as pessoas que morreram no enclave palestiniano, segundo os valores avançados pelo Ministério da Saúde de Gaza e publicados pelo Washington Post esta quarta-feira.

[Horas depois do crime, a polícia vai encontrar o assassino de Issam Sartawi, o dirigente palestiniano morto no átrio de um hotel de Albufeira. Mas, também vai descobrir que ele não é quem diz ser. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o segundo episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E ouça o primeiro aqui]