Elsa Gomes, a ex-assessora da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, sugeriu que as mulheres que amamentam os filhos para além dos dois anos não são “boas mães” e estão a cometer “fraudes”, defendendo assim a intervenção da CPCJ – Comissões de Proteção de Crianças e Jovens nessas situações.
“Nenhuma mulher normal amamenta um filho depois dos dois anos, quem diz o contrário não pode ser boa mãe! Deve exigir intervenção da CPCJ… As fraudes devem ser combatidas sem qualquer receio”, lê-se no comentário da ex-assessora de Maria do Rosário Palma Ramalho no Linkedin em resposta a uma publicação do secretário-geral da Confederação do Turismo Português, Nuno Bernardo, que defendia a proposta de reforma laboral, apresentada pelo Governo de Luís Montenegro.
Ao Expresso, a diretora-adjunta do Centro Nacional de Pensões do Instituto da Segurança Social, nomeada pelo atual executivo, confirmou a autoria do comentário, reiterando as suas declarações: “Fui mãe de dois filhos. Nenhuma mãe amamenta depois dos dois anos. Isso não existe, só existe para quem vive no mundo da fantasia. Os filhos já estão na creche ou no infantário, a comer outros alimentos. Não cabe na cabeça de ninguém que uma mãe o faça”, disse, insistindo novamente que as mães com redução de horário no trabalho para amamentar uma criança com dois ou mais anos estão a cometer uma fraude.
“Não se preocupam com os filhos, usam-nos para benefício próprio. Nenhuma criança pode andar a mamar com essa idade, isso não faz qualquer sentido”, defendeu, criticando ainda a imprensa nacional por estar a abordar “esta área com um foco muito à esquerda”.
O Expresso questionou ainda o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre as declarações da ex-assessora de Maria do Rosário Palma Ramalho mas não obteve respostas.
Em reação, Inês Sousa Real, líder do PAN, recorreu esta terça-feira à rede social X para comentar as declarações de Elsa Gomes, afirmando ser “demasiado mau para parecer verdade”.
“É preciso ter mesmo muita falta de noção para achar que uma criança que é amamentada depois dos 2 anos precisa de intervenção da CPCJ, por ter uma mãe que cuida! Onde está o combate aos maus tratos e abuso infantil?! Isso é que era de valor”, escreveu.
É demasiado mau para parecer verdade. É preciso ter mesmo muita falta de noção para achar que uma criança que é amamentada depois dos 2 anos precisa de intervenção da CPCJ, por ter uma mãe que cuida! Onde está o combate aos maus tratos e abuso infantil?! Isso é que era de valor. pic.twitter.com/4lVQsGbQm3
— Inês Sousa Real (@InesSousaReal) August 11, 2025
O Governo apresentou no final do mês passado uma proposta de alteração à Lei do Trabalho que prevê que passe a haver um limite de redução do horário de trabalho — até aos dois anos de idade — para amamentar. A medida foi fortemente contestada por várias organizações assim como as declarações da ministra do Trabalho que disse haver mulheres que se aproveitavam da lei para não trabalhar, sem ter revelado quantos casos tinham sido identificados.
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