Era um autêntico xeque-mate. Uma semana depois da primeira mão em França, o Benfica procurava capitalizar a vantagem alcançada, voltar a vencer o Nice e garantir a presença no playoff de acesso à Liga dos Campeões. Para isso, era necessário não achar que a eliminatória já estava decidida e nunca permitir que o mais fácil escapasse — um conceito teórico simples, uma execução prática sempre complexa.

A verdade é que, nos últimos dias, o Benfica pareceu viver numa realidade à parte. Com a Primeira Liga a arrancar a nível interno, com as vitórias inequívocas de Sporting, FC Porto e Sp. Braga, os encarnados mantiveram-se totalmente concentrados no objetivo europeu e no obstáculo desta terça-feira. Tão concentrados que Bruno Lage, na antevisão da partida, nem sequer quis comentar o facto de ter sido alvo de uma queixa do Sporting por comentários pouco ortodoxos durante a Supertaça.

Ficha de jogo

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Benfica-Nice, 2-0 (4-0 no conjunto das duas mãos)

Terceira pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro: Marco Guida (Itália)

Benfica: Trubin, Amar Dedic, António Silva, Otamendi, Samuel Dahl, Enzo Barrenechea (Florentino, 63′), Richard Ríos, Fredrik Aursnes (Aktürkoğlu, 84′), Schjelderup (Gianluca Prestianni, 63′), Ivanovic (Leandro Barreiro, 63′), Pavlidis (Henrique Araújo, 81′)

Suplentes não utilizados: Samuel Soares, Rafael Obrador, Tiago Gouveia, Gonçalo Oliveira, João Veloso, Leandro Santos, Diogo Prioste

Treinador: Bruno Lage

Nice: Yehvann Diouf, Antoine Mendy, Juma Bah, Kojo Peprah Oppong, Jonathan Clauss (Hamza Koutoune, 73′), Tom Louchet, Djibril Coulibaly (Sofiane Diop, 60′), Melvin Bard, Badredine Bouanani (Gabin Bernardeau, 73′), Isak Jansson (Jérémie Boga, 73′), Terem Moffi (Bernard Nguene, 82′)

Suplentes não utilizados: Maxime Dupé, Théo Bruyère, Billal Brahimi, Laurenzo Monteiro

 

Golos: Fredrik Aursnes (18′), Schjelderup (27′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Juma Bah (33′), a Jonathan Clauss (66′), a Gianluca Prestianni (90+2′)

“Terei todo o gosto em responder a essas perguntas na próxima conferência. Temos um jogo muito importante para nós amanhã. Quero a equipa focada, assim como eu estou, em conseguirmos a próxima fase da Liga dos Campeões. A eliminatória está longe de estar decidida e temos de entrar com enorme determinação. Não quero distrações nenhumas. É um jogo muito importante e agora é Nice, Nice, Nice”, disse o treinador encarnado, que aproveitou para também afastar todas as questões sobre eventuais saídas e chegadas no mercado de transferências que só termina no fim do mês.

Ora, neste contexto e no Estádio da Luz, Bruno Lage apostava no mesmo onze da semana passada e mantinha a titularidade de Schjelderup, deixando Aktürkoğlu no banco apesar de o avançado turco estar recuperado da lesão que o afastou da primeira mão. Do outro lado, Franck Haise não contava com Dante, que se lesionou há uma semana, e também Pablo Rosario, que não quis ser convocado por estar muito perto de sair dos franceses. Ambos os treinadores já conheciam o eventual destino no playoff: instantes do apito inicial em Lisboa, o Fenerbahçe de José Mourinho eliminou o Feyenoord em Istambul e garantiu a presença na fase seguinte da qualificação.

O Nice começou melhor, desenhando desde logo uma situação de perigo em que Trubin teve de se aplicar para evitar um desvio letal de Terem Moffi (3′). O Benfica demorou a pegar no jogo, permitindo algum espaço e algum arrojo aos franceses, que apareciam com demasiada facilidade no último terço e viam os encarnados algo passivos na reação à perda da bola e na pressão à primeira fase de construção do adversário.

Moffi ainda teve outra ocasião importante, com um remate muito violento que passou por cima da baliza depois de um belo passe longo (8′), mas a pálida superioridade do Nice também não passou do quarto de hora inicial. Pavlidis teve a primeira pseudo ameaça do Benfica, com um remate muito desenquadrado dentro da grande área (13′), e os quase inevitáveis golos dos encarnados apareceram pouco depois.

Enzo abriu do meio para a esquerda com um passe perfeito, Schjelderup recebeu e cruzou para Aursnes, que ainda dominou antes de atirar para bater Yehvann Diouf (18′). Menos de dez minutos depois, a vantagem foi ampliada com recurso aos mesmos intérpretes, mas com papéis trocados: Amar Dedic desequilibrou na direita, deixou de calcanhar em Aursnes e o norueguês colocou à entrada da área, onde Schjelderup apareceu a rematar rasteiro e de primeira para se estrear a marcar nas competições europeias (27′).

O Nice poderia ter recuperado o fio à meada logo depois, com um remate de Jonathan Clauss que esbarrou no poste da baliza de Trubin (31′), mas para além de um cabeceamento de Melvin Bard que passou por cima (40′) também não conseguiu contrariar a tranquilidade serena e confiante dos encarnados. Ao intervalo, o Benfica estava a ganhar na Luz e tinha pé e meio no playoff de acesso à Liga dos Campeões.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e a primeira oportunidade da segunda parte voltou a pertencer ao Nice, com Juma Bah a cabecear por cima na sequência de um canto (48′). O Benfica arrancou novamente algo desconcentrado, sem grande acerto na saída de bola e alguma permissividade à pressão alta dos franceses, e os minutos iniciais após a paragem foram de superioridade clara dos visitantes.

Tal como tinha acontecido no primeiro tempo, porém, essa ideia só durou cerca de dez minutos. Apesar de muitos níveis abaixo do demonstrado tanto na primeira mão como até ao intervalo, os encarnados recuperaram algum controlo em relação às dinâmicas e à lógica do jogo, implementando um equilíbrio incaracterístico e de pouca qualidade que não deixava de favorecer a equipa de Bruno Lage.

O treinador português fez as primeiras substituições à passagem da hora de jogo, na mesma altura em que Schjelderup acertou na trave (62′), lançando Prestianni, Florentino e Leandro Barreiro, com este último a ocupar espaços muito próximos de Pavlidis quando a equipa tinha a bola. O avançado argentino ficou muito perto de um momento de fazer levantar o estádio com um remate cruzado que passou por cima (68′) e os minutos foram passando com o Benfica a ter toda a capacidade de congelar a partida e agarrar a eliminatória com as duas mãos.

Já nada aconteceu até ao fim à exceção das entradas de Henrique Araújo e Aktürkoğlu e o Benfica voltou a vencer o Nice para garantir o apuramento para o playoff de acesso à Liga dos Campeões, onde já sabe que vai defrontar o Fenerbahçe de José Mourinho. Depois de Bruno Lage ter garantido que Fredrik Aursnes até ajuda o departamento de scouting dos encarnados com o conhecimento brutal que tem do futebol nórdico, o médio norueguês mostrou que é tão bom olheiro que se viu a ser herói antes de todos os outros verem.

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